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Flávio Bezerra de Farias



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Flávio Bezerra de Farias



INTRODUÇÃO

No balanço marxiano da experiência da Comuna de Paris de 

1871, uma coisa fi cou assente para a emancipação da classe proletá-

ria, a saber: nem esperar por milagres, nem apostar em utopia abs-

trata, pois “[...] ela sabe que não tem que realizar ideal, mas somente 

que liberar os elementos da sociedade nova, que porta nos seus fl an-

cos a velha sociedade burguesa que se desmorona.” (MARX, 1972, p. 

46). Como reação proletária à barbárie e à guerra entre as potências 

capitalistas imperialistas, a Revolução Russa de 1917 teve grande in-

fl uência nos intelectuais orgânicos do proletariado no século XX, e 

pode ainda hoje ter relevância na sua estratégia de superação socia-

lista do capitalismo imperialista global.

Não se trata, porém, da experiência revolucionária e do mo-

delo absoluto de transição ao comunismo, mas da realização relativa, 

historicamente determinada, de uma antecipação concreta, em que 

“[...] o comunismo não é nem um estado que deve ser criado, nem 

um ideal sobre o qual a realidade deverá se regular. Chamamos co-

munismo o movimento real que abole o estado atual. As condições 

desse movimento resultam da pressuposição que existe atualmente.” 

(MARX; ENGELS, 1976, p. 33). 

Neste rumo da especifi cação histórica da superação do capita-

lismo, o materialismo dialético foi utilizado por vários marxistas he-

réticos – porque contrários à doutrina do marxismo-leninismo e ao 

modelo socialista da URSS –,nas suas análises críticas concretas das 

latências e das tendências constitutivas da situação concreta da cons-

ciência e do ser social e histórico, não para verifi cá-los e experimen-

tá-los no seu todo como obedientes nem a uma lei natural eterna e 

absoluta, nem a uma lei sobrenatural, transcendendo a humanidade. 

Assim, inversamente à obediência ortodoxa aos preceitos ou às leis 

religiosas, também “[...] contrariamente ao que se passa com as leis 

naturais, a história é caracterizada pelo fato que as leis constitutivas 

das  sociedades  humanas  mudam  elas  mesmas,  com  o  devir  destas 

sociedades.” (GOLDMANN, 1980, p. 65). Portanto, “[...] o mundo 

mudou profundamente e devemos nos perguntar em que medida es-

sas antigas análises guardam ainda sua validade para a sociedade que 

é a nossa, e que tentamos compreender hoje.” (GOLDMANN, 1980, 

p. 65). Porém, isto não implica descartar, nas experiências compre-

ensivas e transformadoras do mundo no século XXI, a apropriação 

da herança, atinente à teoria e à práxis, deixada ao proletariado como 





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