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Flávio Bezerra de Farias



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Flávio Bezerra de Farias

ses, o proletariado se utilizou de formas de organização capacitadas, 

tendencialmente, para propiciar às massas trabalhadoras um contro-

le democrático, planejado, racional e efetivo, como sujeito coletivo, 

da gestão fabril. A sua forte dissidência esquerdista era duplamente 

motivada,  pois  o  processo  de  democratização  proletária  periférica 

foi  sendo  abandonado  pelo  marxismo  soviético,  antes  mesmo  da 

morte de Lenin, em 1924, e nunca foi aceito pela social-democracia 

liderada por Kautsky. Embora combatesse especifi camente essas for-

mas ortodoxas de ditadura ideológica historicamente determinadas, 

Korsch (1976) qualifi cou que, no processo universal de democratiza-

ção desenvolvido pela luta proletária internacionalista desencadeada 

pela revolução de outubro de 1917, a ditadura ideológica

[...] se distingue em três aspectos do sistema de opressão intelectual 

que hoje se exerce na Rússia em nome de uma pretensa “ditadura 

proletária”. Em primeiro lugar, ela é  uma ditadura do proletariado 

e não uma ditadura sobre o proletariado. Em segundo lugar, é  uma 

ditadura da classe e não do Partido ou dos dirigentes do Partido. 

Em terceiro lugar, e acima de tudo, é  uma ditadura revolucionária, 

um simples elemento do processo de radical transformação social 

que, com a supressão das classes e dos antagonismos entre elas, cria 

as condições prévias para a “extinção do Estado” e, ao mesmo tem-

po,  para  superar  toda  restrição  ideológica.  Assim  compreendida, 

a  “ditadura  ideológica”  tem  por  tarefa  essencial  suprimir  as  suas 

próprias causas materiais e ideológicas e de se tornar a ela própria 

supérfl ua e impossível. E o que distinguirá , desde o primeiro dia, 

esta ditadura proletária genuína de todas as suas contrafações é  que 

ela criará , não apenas para “todos” os trabalhadores, mas também 

para “cada um” deles tomados separadamente, as condições de uma 

liberdade espiritual tal como nunca e em lugar algum existiu ver-

dadeiramente para os escravos assalariados do Capital, oprimidos 

física e intelectualmente na sociedade burguesa, apesar de toda a 

pretensa  “democracia”  e  “liberdade  de  pensamento”  (KORSCH, 

1976, p. 63-64, grifos do autor).

Na  sua  abordagem  herética  da  conjuntura  concreta  da  Re-

volução Russa, frontalmente contra a ideologia dominante do mar-

xismo soviético, Korsch (1976, p. 64) buscou aplicar o princípio da 

especifi cação histórica à categoria marxiana de ditadura proletária 

revolucionária, de modo a fazer

[...]  desaparecer  a  contradição  que,  sem  esta  determinação  mais 

precisa, parece subsistir entre a exigência de uma “ditadura ideoló-

gica” e o princípio essencialmente crítico e revolucionário do mé-

todo materialista dialético e da concepção comunista do mundo. 





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