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A REVOLUÇÃO RUSSA E O MARXISMO DO SÉCULO XX



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A REVOLUÇÃO RUSSA E O MARXISMO DO SÉCULO XX

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Tomando uma trajetória paradoxal de sucessiva ruptura com 

o liberalismo, o revisionismo, o socialismo e, fi nalmente, com o pró-

prio leninismo, Korsch fora logo excluído do Partido comunista ale-

mão, em 1926, sob o pretexto de desvio ultraesquerdista. Liberado a 

contragosto das tarefas organizativas partidárias, no fi m da década 

de  1920,  empreendeu,  em  compensação,  uma  crítica  ampla  e  pro-

funda da concepção social democrática kautskista do materialismo 

histórico,  cuja  tese  principal  residia  na  defesa  da  luta  parlamentar 

pela conquista do aparelho estatal para fazê-lo funcionar conforme 

os interesses das classes exploradas (KORSCH, 1975). A tese do orto-

doxo Kautsky era, evidentemente, incompatível com o verdadeiro se-

gredo da Comuna de Paris, revelado por Marx (1972, p. 45), a saber: 

“[...] era essencialmente um governo da classe operária, o resultado 

da luta da classe dos produtores contra a classe dos apropriadores, a 

forma política enfi m encontrada que permitia realizar a emancipa-

ção econômica do Trabalho”.

O livro de Korsch, publicado em 1938, sobre Karl Marx con-

tém, dentre outros, dois capítulos sequenciados, em torno do tema 

da especifi cação histórica, seja no aspecto da crítica do poder socioe-

conômico, seja no aspecto da crítica do poder político. Assim, contra 

as tentativas ideológicas de naturalizar e eternizar o estado de coisas 

presente,

Marx  concebe,  com  efeito,  na  sua  singularidade  histórica,  todas 

as instituições e todas as relações existentes no seio da sociedade 

burguesa. Ele se eleva como crítico das categorias caras aos teóri-

cos burgueses, em que este caráter específi co se encontra apagado 

[...]  O  princípio  da  especifi cação  histórica  não  assume  uma  im-

portância considerável somente em matéria de pesquisa econômi-

ca  e  social;  ele  tem  uma  importância,  e  não  menos  considerável, 

em outros domínios. Ele constitui, com efeito, uma arma ofensiva 

no confronto político opondo a tendência apologética àquela crí-

tica  da  sociedade,  a  uma  tendência  de  inclinação  revolucionária. 

(KORSCH, 1971, p. 37 e 47).

O princípio da especifi cação histórica foi aplicado por Korsch 

na crítica às duas ortodoxias marxistas, a saber: a velha ortodoxia 

social democrática kautskista e a nova ortodoxia soviética marxista-

-leninista. Com efeito, a adesão de Korsch ao comunismo fora mo-

tivada por seu entusiasmo e empenho no processo de socialização 

através da forma conselhista, enquanto herança da rica experiência 

do  biênio  vermelho  alemão  (1918-1919),  em  que,  na  luta  de  clas-





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