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Flávio Bezerra de Farias



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Flávio Bezerra de Farias

dade, mas também uma teoria da revolução proletária. (KORSCH, 

1971, p. 93, grifo do autor).

Korsch foi o marxista do século XX que cometeu a mais no-

tável  heresia  de  aplicar,  ampla  e  profundamente,  o  materialismo 

dialético e histórico ao próprio marxismo, o que foi logo repudiado 

tanto pela velha, quanto pela nova ortodoxia marxista, respectiva-

mente, social democrática e marxista-leninista. Em geral, a ortodo-

xia marxista atacava, no mesmo diapasão, e até mesmo com a mesma 

argumentação, não somente o jovem autor de Marxismo e fi losofi a 

(KORSCH, 1976), mas todas as tendências críticas, criativas e radi-

cais da teoria e da práxis do movimento operário, desde os primeiros 

anos da década de 1920, como no caso do jovem autor de História 

e consciência de classe (LUKÁCS, 1976). Ambos os autores recor-

reram  à  herança  fi losófi ca  hegeliana  do  marxismo  para  destacar  a 

importância  da  consciência  na  sua  relação  dialética  com  o  ser  so-

cial historicamente determinado e, portanto, com a luta de classes 

inerente à sociedade burguesa. Isso implicou, na teoria e na ação de 

ambos, uma fi rme oposição às ideologias conformistas ou fatalistas 

da época, dominantes nas experiências do capitalismo imperialista e 

do seu recente rival imperialista soviético.

Lukács desenvolveu a crítica dos fenômenos de reifi cação bur-

guesa diante da consciência proletária na luta partidária pela tran-

sição socialista ao comunismo (como será visto abaixo), enquanto 

que Korsch priorizou a estratégia de luta econômica conselhista pela 

socialização comunista e destacou o princípio da especifi cação histó-

rica na abordagem crítica e revolucionária das formas principais de 

exploração econômica e das formas secundárias de dominação po-

lítica e atentado à dignidade humana contra o proletariado, exerci-

das segundo modalidades variáveis no tempo e no espaço. Em 1950, 

defendeu, na sua última das Dez teses sobre o marxismo hoje, que

[...]  o  poder  de  dispor  da  produção  de  sua  própria  vida  não  re-

sultará do fato, para os operários, de ocupar as posições abando-

nadas,  sobre  os  mercados  nacionais  internos  e  sobre  o  mercado 

mundial,  pela  concorrência  auto  negadora  e  pretensamente  livre 

dos proprietários monopolistas dos meios de produção. Este po-

der  só  poderá  resultar  da  intervenção  planejada  (planmässig)  de 

todas as classes, hoje excluídas, numa produção que, já hoje, tende, 

sob todas as relações, para a regulação monopolista e planifi cada 

(KORSCH, 1976, p. 187).






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