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A REVOLUÇÃO RUSSA E O MARXISMO DO SÉCULO XX



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A REVOLUÇÃO RUSSA E O MARXISMO DO SÉCULO XX

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tégia  de  eternização  do  socialismo  de  Estado  na  Rússia  atrasada  e 

isolada, tornou-se cada vez mais reacionária e despótica, inclusive, 

por negar a revolução permanente de Marx a Trotsky. Assim, o inter-

nacionalismo trotskista e o nacionalismo stalinista se polarizam em 

“[...] duas concepções diferentes e contraditórias do socialismo, que 

determinam também estratégias e táticas opostas”, a saber:

a)  aquela  que  leva  ao  fortalecimento  econômico  da  ditadura  do 

proletariado num só país, esperando as próximas vitórias da revo-

lução proletária internacional(este é o ponto de vista da oposição 

de esquerda); b) aquela que leva à construção de uma sociedade 

socialista nacional e isolada « num prazo histórico muito curto » 

(este é o ponto de vista ofi cial de hoje) (TROTSKY, 1976, p. 248).

Sobretudo em razão da manutenção dos obstáculos burocrá-

ticos e imperialistas à revolução socialista nesta economia atrasada, 

em pouco mais de uma década de desenvolvimento do socialismo 

num só país, a URSS tentou se fi rmar como potência industrial, atra-

vés de uma acumulação socialista primitiva catastrófi ca para as mas-

sas camponesas, sob uma coletivização forçada que custou a vida de 

dez milhões de pessoas. 

Em 1936, o regime soviético stalinista, eternizado sob a for-

ma  de  um  socialismo  estatizante  e  burocrático,  desencadeou  uma 

grande  perseguição  jurídico-policial  e  assassinou  uma  centena  de 

seus oponentes bolcheviques. Nessa época, Trotsky (1976) explicitou 

clara et evidentemente que a Revolução Russa fora traída, que não 

estava implicando nenhuma transição socialista na URSS, pois a di-

tadura do proletariado, concebida (em tese) no Estado e a revolução 

(LÉNINE,  1975),  tornara-se  (de  fato)  uma  ditadura  da  burocracia 

e, portanto, “[...] caso se considere que o objeto do socialismo é de 

criar uma sociedade sem classes, fundada sobre a solidariedade et a 

satisfação harmoniosa de todas as necessidades, não há ainda, nes-

te sentido fundamental, nenhum socialismo na URSS.” (TROTSKY, 

1976, p. 444).

Essa formação socioeconômica específi ca, restou transitória, 

posto que suas formas sociais e históricas tinham a marca da supres-

são da propriedade privada capitalista industrial, enquanto condição 

necessária, mas não sufi ciente para uma mediação democrática so-

cialista ampla, relativa e estruturalmente assente, em ruptura essen-

cial com as condições objetivas de divisão do trabalho que servem de 

eixo à luta de classes. Aquela supressão não engendrou por si mesma 






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