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Flávio Bezerra de Farias



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Flávio Bezerra de Farias

em seu nome, o marxismo-leninismo empreendeu metodicamente a 

negação da unidade dialética entre teoria e práxis, programa e reali-

dade, democracia e socialismo, etc. Nesse quadro, a burocracia sta-

linista assumiu a missão histórica de construir o socialismo num só 

país, polarizando, portanto, com a abordagem trotskista da revolução 

permanente, de um lado; e, do outro, com a tese do desenvolvimento 

desigual e combinado. Para Trotsky (1967, p. 41-42), com efeito,

[...]  o  desenvolvimento  de  uma  nação  historicamente  atrasada 

conduz, necessariamente, a uma combinação original das diversas 

fases do processo histórico. O orbe descrito toma, no seu conjun-

to,  um  caráter  irregular,  complexo,  combinado...  A  desigualdade 

de ritmo, que é a lei mais geral do processo histórico, se manifesta 

com o máximo rigor e complexidade nos destinos dos países atra-

sados. Sob o chicote das necessidades exteriores, a vida retardatária 

é obrigada a avançar por saltos. Desta lei universal de desigualdade 

dos ritmos decorre uma outra lei que, por falta de uma designa-

ção mais apropriada, pode ser denominada lei do desenvolvimento 

combinado, no sentido da aproximação de diversas etapas, da com-

binação de fases distintas, do amálgama de formas arcaicas com as 

mais modernas.

Em decorrência do fato de que esta situação concreta era ca-

balmente vivenciada pela Rússia em 1917, a conquista revolucionária 

do poder pelo proletariado unifi cado, do campo e da cidade, passaria 

pelo estabelecimento de um Estado operário, em aliança com os sol-

dados, de sorte que o proletariado como um todo poderia, neste país 

atrasado, tomar o poder, visando o comunismo, passando pelo socia-

lismo e pela superação do subdesenvolvimento, saltando por cima da 

pressuposta e tradicional etapa da revolução burguesa (MANDEL, 

1980). De acordo com a lei da revolução permanente, uma herança 

da Revolução Russa de1905, “[...] o proletariado russo tinha o direito 

e o dever de tomar o poder sem esperar o começo da revolução pro-

letária na Europa.” (TROTSKY, 1976, p. 253). Desde abril de 1917, 

esta lei passou a ser aplicada pelos bolcheviques, liderados por Le-

nin, na experiência revolucionária socialista vitoriosa em outubro de 

1917, em que a Rússia passou da guerra imperialista à guerra civil, 

agravada pelas persistentes intromissões imperialistas no país. Tudo 

isso contribuiu para uma situação econômica desastrosa e, em 1921, 

veio o recuo tático para uma fase de transição preparatória ao socia-

lismo, sob uma Nova Economia Política e um capitalismo de Esta-

do. A partir de 1924, sob o regime burocrático stalinista, a grande 

transformação social e histórica do capitalismo de Estado em estra-






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