Ronaldo vainfas


Sugestões de leituras complementares



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Sugestões de leituras complementares

Texto 1


O diabo e a Terra de Santa Cruz

Um fosso enorme separava a rigidez religiosa da vigilante Inquisição portuguesa e o catolicismo vivido pelos colonos, sendo constante a incompreensão mútua dos discursos de cada um. E, no entanto, conversando sobre o purgatório, tacheiros, mestres de açúcar, marinheiros, escravos, mercadores, carpinteiros, soldados e senhores de engenho não faziam outra coisa senão discutir uma questão que, décadas antes, preocupara também Lutero.

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A incompreensão mútua não poderia pois ser imputada à incomunicabilidade entre níveis culturais diversos.

No cotidiano da colônia, Céu e Inferno, sagrado e profano, práticas mágicas primitivas e europeias ora se aproximavam, ora se apartavam violentamente. Na realidade fluida e fugidia da vida colonial, a indistinção era, entretanto, mais característica do que a dicotomia. Esta, quando se mostrava, era quase sempre devida ao estímulo da ideologia missionária e da ação dos nascentes aparelhos de poder, empenhados em decantar as partes para melhor captar as heresias. O que quase sempre sobrenadou foi o sincretismo religioso.

[...] Crenças africanas e indígenas viam-se constantemente demonizadas pelo saber erudito, incapaz de dar conta da feição cada vez mais multifacetada da religiosidade colonial. Com o avanço do processo colonizatório, as definições se fariam mais nítidas. A complexidade de uma formação social que pressupunha simultaneamente o escravismo e o cristianismo puxava a colônia para as imagens infernalizadas - Satã no papel de confirmador de Deus. O Inferno eram as tensões sociais, os envenenamentos de senhores, os atabaques batendo nas senzalas e nas vielas escuras das vilas coloniais, os quilombos que assombravam as matas, os caminhos, os descampados; os catimbós nordestinos que conclamavam espíritos ancestrais, as curas mágicas, as adivinhações.

Do outro lado, a identificação com a metróple atraía para o polo paradisíaco: chegava-se ao Céu quando se rezava o credo de Portugal, invadindo os mercados europeus com açúcar, tabaco, ouro, brilhantes. Entre um e outro polo, a colônia se confirmava na sua função purgadora: purgatório onde purgavam penas e mazelas inerentes às tensões sociais, e onde, divinizando-se o universo produtivo, se procurava ganhar a salvação.

SOUZA, Laura de Mello e. O diabo e a Terra de Santa Cruz. São Paulo: Companhia das Letras, 1986. p. 149-150.

Texto 2

Antagonismos da sociedade colonial. Considerada de modo geral, a formação brasileira tem sido, na verdade, como já salientamos às primeiras páginas deste ensaio, um processo de equilíbrio de antagonismos. Antagonismos de economia e de cultura. A cultura europeia e a indígena. A europeia e a africana. A africana e a indígena. A economia agrária e a pastoril. A agrária e a mineira. O católico e o herege. O jesuíta e o fazendeiro. O bandeirante e o senhor de engenho. O paulista e o emboaba. O pernambucano e o mascate. O grande proprietário e o pária. O bacharel e o analfabeto. Mas predominando sobre todos os antagonismos e o mais profundo: o senhor e o escravo.

FREYRE, Gilberto. Casa-grande & senzala. 16ª ed. Rio de Janeiro: José Olympio, 1973. p. 53.

Texto 3

Como definir o aldeamento jesuítico?



Comentando os documentos jesuíticos do século XVI, o antropólogo Luiz Felipe Baêta Neves fez importante distinção entre a aldeia indígena e o aldeamento jesuítico. Ou entre a aldeia, com letra minúscula, e a Aldeia, com letra maiúscula, conforme aparecem em muitos documentos da época. Os jesuítas tentaram, de início, catequizar os índios percorrendo, com grande risco, as aldeias nativas. "Saía um padre ou um pequeno número de padres, com ou sem apoio militar, e se dirigia a cada uma das 'nações' (indígenas), a cada uma das aldeias índias e aí fazia sua pregação, batizava geralmente um grande número de indivíduos e se retirava, considerando cumprida ali sua tarefa". A criação dos aldeamentos ou Aldeias jesuíticas mudou radicalmente a metodologia da catequese. "Nos aldeamentos, índios das mais diferentes tribos eram reunidos para que pudessem, mais facilmente, ser convertidos [...] As Aldeias são um espaço, território preciso produzido pelos jesuítas. São, pois, território cristão."

NEVES, Luiz F. Baêta. O combate dos soldados de Cristo na terra dos papagaios. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 1978. p. 113, 119.

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