Ronaldo vainfas



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Nzinga na guerra

Durante seu reinado, Nzinga insistiu na retirada do Forte de Ambaca, considerado uma afronta por estar dentro do "coração da nação Mbundo", conforme relata nas cartas enviadas ao governador. Também solicitava a liberação dos sobas colocados como tributários de Luanda.

Os portugueses, que praticamente só ocupavam a cidade de Luanda, tentaram diminuir o poder de Nzinga, chegando a impor um novo ngola.

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Mas o poder dela não mudou, pois os sobas relutavam em reconhecer um soberano que não fosse da linhagem Mbandi.

A partir de 1629, Nzinga passou a atacar as feiras com guerrilhas, bloqueando as rotas comerciais. Por mais que tentassem, os portugueses não conseguiram derrotar os exércitos da rainha, que sobreviveu até mesmo à varíola. Entretanto, ela precisou se refugiar em Matamba, onde seu poder aumentou ainda mais, apoiada pelos jagas.

Nzinga empreendeu sua volta a Ndongo a partir de 1633, com uma nova tática: estimular a fuga dos escravos dos portugueses. Eram quase sempre homens aptos a guerrear e permaneceriam fiéis a ela, como legítima Mbandi. Também arregimentou os sobas que não reconheciam o poder no ngola imposto pelos portugueses, aumentando seu poder militar.

Em 1641, Luanda foi tomada pelos holandeses, apoiados por Nzinga. A partir de 1645, os portugueses passaram a receber reforços do Brasil para recuperar Luanda, com lutas que duraram até 1648, quando Salvador Correia de Sá e Benevides chegou do Brasil com uma armada poderosa, expulsando os holandeses da região.

Nzinga e seus exércitos permaneceram como inimigos, mas a política portuguesa tomou o rumo da paz e pretendia regularizar o comércio de escravos no interior, prejudicado pelas incursões dos exércitos da rainha.

Somente em 1656, depois de uma série de negociações, Nzinga assinou um acordo de paz. Converteu-se ao cristianismo, permitiu a entrada de missionários portugueses em seu território e comprometeu-se a abandonar os costumes jagas, adotando os rituais cristãos, além de restabelecer relações comerciais com Luanda. Porém, não tornou o reino tributário de Portugal.

Faleceu em 1663. Como herança, o reino foi governado por mulheres durante quase 100 anos.

Boxe complementar:

Fique de olho!

· PANTOJA, Selma. Nzinga Mbandi - Mulher, guerra e escravidão. Brasília: Thesaurus, 2000.

O livro trata do contexto histórico em que viveu a poderosa rainha Nzinga, do reino de Angola, sua luta contra os portugueses e as relações comerciais envolvendo escravos dos dois lados do oceano Atlântico.

Fim do complemento.



A rainha Nzinga

Nzinga foi objeto de muitos relatos de viajantes e cronistas da época, impressionados com o que viam ou se dizia sobre ela. Afirmavam que, nas entrevistas com os portugueses, apresentava-se ricamente trajada nos moldes ocidentais. Tinha vários maridos e gostava imensamente de adereços e joias. Consta que ela própria guerreava com destreza. Sua aceitação como rainha por parte dos sobas de vários grupos étnicos se devia ao fato de ela ser descendente dos jagas, pela linha paterna, e dos ambundos, pela materna. A imagem de Giovanni Antonio Cavazzi (abaixo) mostra Nzinga sentada nas costas de uma escrava, em uma de suas atuações como embaixadora do Ndongo, junto ao governador português de Luanda.

LEGENDA: Ilustração de Antonio Cavazzi, feita no século XVII, representando o encontro entre o governador português de Luanda e Nzinga. Universidade da Virgínia, Charlotesville, Estados Unidos.

CRÉDITOS: GIOVANNI ANTONIO CAVAZZI. QUEEN NZINGA, KINGDOM OF KONGO, MEETING WITH THE PORTUGUESE. SÉCULO XVII.

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