Rolf kemmler, academia de ciências de lisboa, utad vila real – alemanha



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30 ROLF KEMMLER
    1. ROLF KEMMLER, ACADEMIA DE CIÊNCIAS DE LISBOA, UTAD VILA REAL – ALEMANHA,

TEMA 3.4 São Miguel e os seus habitantes em The Azores or Western Islands (1886) de Walter Frederick Walker1 Rolf Kemmler (Vila REAL) *

1 Introdução

No ano de 1886, um súbdito britânico chamado Walter Frederick Walker publicou a sua obra de VIII, 335 páginas sob o título tão extenso quanto prometedor The Azores or Western Islands: A political, commercial and geographical account, containing what is historically known of these islands, and descriptive of their scenery, inhabitants, and natural productions [...].

Com doze gravuras e seis «Island Melodies», nas quais o texto vem acompanhado pela respetiva partitura, o autor oferece um grande leque de observações bem fundamentadas sobre o arquipélago e sobretudo a ilha de São Miguel, por vezes complementadas por informações baseadas em fontes secundárias identificadas. Tentaremos identificar as observações relevantes no livro em que o autor se pronuncia sobre São Miguel e os seus habitantes.

2 O autor



Até agora não se sabia nada mais sobre Walter Frederick Walker exceto do que consta da informação no rosto da sua obra, nomeadamente que era «Fellow of the Royal Geographical Society; Member of the Society of Arts; Member of the Society of Biblical Archaeology; Corresponding Member of the Geographical Society of Lisbon».

Com base em documentação previamente inédita, conseguimos averiguar que Walter Frederick Walker nasceu no dia 21 de janeiro de 1846 em Ponta Delgada como penúltimo dos doze filhos do médico cirurgião britânico Sanderson Walker (1790-1860)2 e da sua mulher Emma Henrietta Walker (em solteira Popplewell; 1806-1851).3

Assim, a seguir ao florentino Manuel Borges de Freitas Henriques (1826-1873), que brindou o público americano com a obra A trip to the Azores or Western Islands (1867), Walker foi o segundo dos nossos autores a ter nascido no arquipélago. Parece evidente que a residência em São Miguel, bem como o convívio com a sociedade ponta-delgadense da época terá permitido ao nosso autor oferecer uma perceção diferente da dos restantes autores que se supõe mais profunda e mais intimista. Não sabemos quando Walker regressou definitivamente à Inglaterra e se terá sido lá que conseguiu a formação académica de que parece ter usufruído. Como ele documenta conhecimento pessoal dos grandes vultos micaelenses da época, impõe-se a noção que poderá ter regressado ao arquipélago como adulto, apresar de ser órfão desde a morte da mãe em 1851 e do pai em 1860.

No dia 24 de outubro de 1889, Walker casou na igreja paroquial de Clapham (Surrey; que hoje pertence a cidade de Londres) com Frances Anne Mac Donnell (1862-1943), filha do advogado londrino Randal MacDonnell (1889, October 24). Com os dois filhos, Frances Louisa (1890-1971) e Frederick Benjamin Goddard (1903-1930), o casal inicialmente residia em '7 Clapham Common, Northside' em Clapham desde 1891 (hoje Londres; 1891: 226, s. d.; 1894: 263, s. d. 1896, s. d.: 293; 1909, s. d.: 442; 1910, s. d.: 449), passando, desde 1911, a residir na paróquia de St Peter Intra na cidade de Broadstairs que se encontra na então ilha Isle of Thanet, no condado de Kent (p. 1911, s. d.: 331).

Walter Frederick Walter faleceu em Broadstairs na ilha Thanet no dia 17 de janeiro de 1924. No que respeita à atividade profissional de Walker, as únicas referências que temos encontram-se os assentos de registo paroquial. Assim, no seu próprio assento de casamento, Walker é identificado como comerciante 'Merchant' (1889, October 24: 41), ao passo que na altura do casamento da filha é chamado 'manager (retired)', ou seja, gerente reformado (1912, April 12: 117). Não temos informações sobre na natureza da atividade comercial que Walker exercia, mas parece pertinente supor que possa ter sido qualquer coisa relacionada com o comércio açoriano-britânico. Sabemos que foi eleito sócio da Royal Geographical Society (1830) no dia 22 de junho de 1874 (PRGSL 1874: 487) e da Society of Biblical Archaeology (1870) no dia 7 de fevereiro de 1882 (PSBA 1882: 57). Não sabemos, porém, quando Walker terá ficado sócio da Royal Society of Arts (1754) e da Sociedade de Geografia de Lisboa (1875).



Com o título aparentemente barroco The Azores or Western Islands: A political, commercial and geographical account, containing what is historically known of these islands, and descriptive of their scenery, inhabitants, and natural productions; having special reference to the eastern group consisting of St. Michael and St. Mary, the Formigas and Dollabaret Rocks; including suggestions to travellers and invalids who may resort to the archipelago in search of health, a obra foi editada pela casa editora, Trübner & Co., fundada em 1851 e então sediada em Ludgate Hill, no centro de Londres.4

Impressa pela tipografia «Lake Brothers» em Londres, a obra de Walker tem um total de viii, 335 páginas numeradas, sendo dividido em 14 capítulos. Ao lado das doze gravuras que aparecem ao longo do texto, merecem destaque as seis «Island Melodies» no fim da obra, pois encontramos não somente os textos, mas também as respetivas partituras.na casa editora, Trübner & Co., fundada em 1851 e então sediada em Ludgate Hill, no centro de Londres.5 Impressa pela tipografia «Lake Brothers» em Londres, a obra de Walker tem um total de viii, 335 páginas numeradas. Ao lado das doze gravuras que aparecem ao longo do texto, merecem destaque as seis «Island Melodies» no fim da obra, pois encontramos não somente os textos, mas também as respetivas partituras. Existe uma tradução portuguesa, levada a cabo pelo professor micaelense João Hickling Anglin (1894-1975). Foi sob o título «Os Açores ou Ilhas Ocidentais» que a tradução foi publicada nos números 22 a 26 da revista Insulana (1965-1970), ocupando na sua totalidade nada menos de 320 páginas.

3 Walter Frederick Walker e São Miguel

Como vimos, o livro The Azores or Western Islands de Walter Frederick Walker constitui efetivamente a única publicação conhecida do nosso autor, que assim se estreou aos 40 anos de idade. É da seguinte maneira que Weeks explica a génese do seu contributo para a literatura de viagens anglófona sobre o arquipélago açoriano:

PREFACE.


Les longs ouvrages me font peur:

Loin d'epuiser une matière,

On n'en doit prendre que la fleur.




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