Revista Dados 1 nº de 2018. vp


DADOS – Revista de Ciências Sociais, Rio de Janeiro, vol. 61, n o 1, 2018 Petrônio Domingues



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DADOS –


Revista de Ciências Sociais, Rio de Janeiro, vol. 61, n

o

1, 2018



Petrônio Domingues


etc. Os demais departamentos não funcionavam por “falta de elemen-

tos capacitados para este mister”

20

. Em 1958, houve uma reforma na es-



trutura da associação, sendo aprovada a implantação da “Comissão de

Recreação” e dos departamentos “Feminino”, de “Esporte”, de “Cul-

tura” e “Estudantil”

21

.



Na ocasião, um grupo de jovens “aceneanos” lançou O Mutirão: Órgão

da Associação Cultural do Negro, jornal que no primeiro número trazia

um artigo em que José Correia Leite – em nome do Conselho Superior

da ACN – saudava o projeto editorial

22

. No segundo número, o subtítu-



lo do jornal foi alterado para “Órgão do Departamento Estudantil da

Associação Cultural do Negro”. Intercalando noticiários de festas, co-

memorações, competições desportivas e informações acerca dos “vul-

tos de origem negra que alcançaram a fama e a glória”, suas edições ti-

nham quatro páginas. Era mensal e publicado em formato tabloide.

Em linhas gerais, O Mutirão serviu de tribuna aberta para discutir

questões relacionadas à raça, nação, juventude, identidade e cultura.

Outro empreendimento editorial foi a publicação dos Cadernos de

Cultura da ACN – Série Cultura Negra. O primeiro livro da série foi

uma coletânea reunindo textos de Sérgio Milliet (“Alguns aspectos da

poesia negra”), de Artur Ramos (“O negro e a República”) e poemas de

Oswaldo de Camargo e Carlos de Assunção (Milliet et al., 1958). Para o

lançamento, na sede da União Brasileira de Escritores em 13 de dezem-

bro de 1958, a associação preparou um “recital de canto, música e poe-

sia” e convidou várias entidades e personalidades, entre as quais Jânio

Quadros, então governador do Estado de São Paulo

23

. Em 1961, a ACN



publicou o segundo livro da série: Cruz e Souza – o Dante Negro, do es-

critor Henrique L. Alves. No mesmo ano, o terceiro livro – 15 Poemas



Negros, de Oswaldo de Camargo – veio a lume. Em 1962, foi a vez do

quarto livro: Fatores determinantes da formação da cultura afro-brasileira,

do jornalista Nestor Gonçalves. Nesse mesmo ano, editou-se Nina

Rodrigues e o negro do Brasil, também de Henrique L. Alves

24

. Numa



época em que havia poucas obras disponíveis no mercado editorial so-

bre a história e cultura afro-brasileira, a publicação dos Cadernos de

Cultura da ACN foi uma iniciativa importante. E malgrado a baixa ti-

ragem, precária divulgação e limitada distribuição, suas edições não

passaram despercebidas. Em relatório de suas atividades gerais, a as-

sociação reconhecia que a publicação dos Cadernos de Cultura era

uma das realizações de melhor resultado “no sentido da sua divulga-

ção e penetração nas camadas mais responsáveis e representativas não






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