Revista Dados 1 nº de 2018. vp


“Em Defesa da Humanidade”: A Associação Cultural do Negro



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“Em Defesa da Humanidade”: A Associação Cultural do Negro

DADOS –


Revista de Ciências Sociais, Rio de Janeiro, vol. 61, n

o

1, 2018



175


cursos. Todo “aceneano” – este era o epíteto dado às pessoas que per-

tenciam à ACN – ganhava uma “carteira social” como membro asso-

ciado (contendo os dados pessoais e uma foto 3x4) e uma cópia do

estatuto, para se certificar de seus direitos e deveres. Todo o trabalho

social realizado em prol da associação era voluntário, pois imperava o

ideal de “recuperação social do elemento afro-brasileiro”. Até aqueles

que ocupavam cargos diretivos – como foi o caso de José de Assis

Barbosa, José Correia Leite, Geraldo Campos de Oliveira e Henrique

Antunes Cunha – conciliavam suas carreiras profissionais com as ati-

vidades ligadas à ACN.

É difícil dimensionar o número exato de associados. Com efeito, as in-

formações disponíveis – ainda que fragmentadas – permitem traçar al-

gumas estimativas. Segundo o relatório da Secretaria do Conselho Su-

perior de 1956, teriam sido encontradas “850 fichas de associados” na

sede social

14

. De acordo com um comunicado remetido ao Conselho



Superior, existiam 527 associados inscritos em 1

o

de setembro de 1957.



De 1

o

de setembro de 1957 a 31 de julho do ano seguinte, 235 sócios de



inscreveram, totalizando, assim, um número de 762 associados até 31

de julho de 1958

15

. Também não é tarefa fácil aquilatar o grau de aceita-



ção da associação no meio afro-paulista. De todo modo, foi possível en-

contrar uma carta na qual Hélcio Lacerda dirigia-se aos “Exmos. Se-

nhores Diretores da Associação Cultural do Negro”, declarando que

lia sempre as notícias atinentes à “magnífica” associação. Em razão

disso, “gostaria que fosse aceito sócio, pois o serviço que [a ACN] pres-

ta pelas causas do negro do Brasil é grande”. Declarava ainda ser “de

cor” e que, residindo na cidade de Jaboticabal (SP), poderia difundir

em “muito a causa e os assuntos” relacionados à associação

16

.

Para facilitar a administração e a execução de alguns projetos, a ACN



estruturava-se em departamentos. Em fevereiro de 1956, seu Conselho

Superior aprovou a criação dos departamentos de “Educação e Cultu-

ra”, de “Propaganda e Arregimentação”, de “Relações”, de “Recreação

e Esportes”, de “Finanças” e “Feminino”

17

. Apesar disso, apenas dois



departamentos estavam em atividade em dezembro daquele ano: o de

“Recreação e Esportes” e o “Feminino”

18

. O primeiro era o responsável



por proporcionar aos associados os programas de lazer – como festas,

bailes e convescotes – e as práticas desportivas – como “bola ao cesto”

(basquete), voleibol e “pedestrianismo” (atletismo)

19

. Já o segundo,



que reunia as mulheres da associação, encarregava-se da organização

de “festividades”, da ornamentação da sede, dos serviços de limpeza






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