Revista Dados 1 nº de 2018. vp


DADOS – Revista de Ciências Sociais, Rio de Janeiro, vol. 61, n o 1, 2018 Petrônio Domingues



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DADOS –


Revista de Ciências Sociais, Rio de Janeiro, vol. 61, n

o

1, 2018



Petrônio Domingues


de setores da população negra, ela agenciou alianças, abriu canal de in-

terlocuções e estabeleceu negociações com segmentos da sociedade ci-

vil (estudantes, intelectuais, artistas e jornalistas) e do poder público

(por intermédio de vereadores, deputados, prefeitos e governadores).

Portanto, é escusado dizer que a “sociedade inclusiva” não ficou indi-

ferente à ACN.

Em seu período de vida, ela formulou, coordenou e apoiou diversos

projetos, sempre desfraldando a bandeira do seu objetivo mais notável:

a “recuperação social do elemento afro-brasileiro”. Ponto de encontro,

sociabilidade, cultura e lazer, a associação proporcionava conferências;

celebrações (da data de seu aniversário de fundação, da Lei Áurea, da

Mãe Preta, dentre outras efemérides); homenagens aos ícones afro-dias-

póricos (como Luiz Gama, José do Patrocínio, André Rebouças, Cruz e

Sousa, Teodoro Sampaio, Carolina de Jesus, Léopold Senghor, Louis

Armstrong e Marian Anderson); sessões cívicas e lítero-musicais; reci-

tais de poesia; espetáculos teatrais (com a colaboração do Teatro Popu-

lar Brasileiro e Teatro Experimental do Negro); noites de arte e cultura;

animava festas; soirées dançantes ou bailes (inclusive carnavalescos); co-

quetéis; concursos de beleza; programas recreativos (como excursões ao

litoral paulista, convescotes, gincanas, jogos de salão etc.) e desportivos

(com a prática e competições de futebol, “cestobol”, voleibol, jogos e

ping-pong); oferecia cursos ligados ao Departamento de Educação, além

de ter montado uma biblioteca, sediado eventos de caráter dinamiza-

dor, como o “Encontro de Cultura Negra”, publicado os “Cadernos de

Cultura” e um jornal, O Mutirão. No seu apogeu, chegou a ter mais de

700 sócios. Mantinha entre seus membros afiliados pessoas hoje conhe-

cidas no meio acadêmico, como o bibliófilo José Mindlin e os sociólogos

Otávio Ianni e Florestan Fernandes. O último, inclusive, tornou-se o re-

presentante da ACN para fins culturais.

Como principal associação afro-paulista do período, tornou-se refe-

rência no marco de direitos, reivindicações e afirmação de identidade.

Nas palavras de Oswaldo de Camargo, a “associação era um ponto

obrigatório para qualquer estudante, para qualquer interessado na

questão negra, tanto que volta e meia estavam lá intelectuais, visitan-

tes, políticos que vinham de outros países passar por São Paulo e aca-

bavam indo parar na associação”

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. Embora sediada na capital, estabe-



leceu intercâmbio com muitas entidades “coirmãs” no estado de São

Paulo e no país. Quando os Onze Irmãos Patriotas F. C. completaram

aniversário de fundação em abril de 1960, a diretoria da ACN en-

viou-lhes uma carta de felicitação, fazendo votos para que os laços de






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