Revista Dados 1 nº de 2018. vp


DADOS – Revista de Ciências Sociais, Rio de Janeiro, vol. 61, n o 1, 2018 Petrônio Domingues



Baixar 385.93 Kb.
Pdf preview
Página20/45
Encontro15.05.2021
Tamanho385.93 Kb.
1   ...   16   17   18   19   20   21   22   23   ...   45
188

DADOS –


Revista de Ciências Sociais, Rio de Janeiro, vol. 61, n

o

1, 2018



Petrônio Domingues


tes para garantir a ida de um delegado – Geraldo Campos de Oliveira –

ao II Congresso Mundial de Escritores e Artistas Negros, realizado em

Roma. Tratou-se de um importante evento de articulação na diáspora

africana e, de acordo com Gilroy, seus participantes escolheram como

temas centrais de discussão a unidade da “Cultura Negra” e as “res-

ponsabilidades políticas criativas que recaíam sobre a nata de intelec-

tuais negros responsáveis pela demonstração e reprodução dessa uni-

dade” (Gilroy, 2001:365). Quando Geraldo Campos voltou do II

Congresso Mundial de Escritores e Artistas Negros, trouxe uma série

de documentos, teses e outras coisas, como um distintivo da revista



Présence Africaine.

A conexão da ACN com a Société Africaine de Culture foi renovada

meses mais tarde. Quando o “aceneano” Israel de Castro conseguiu ir a

Europa “em missão de estudos”, a associação preparou uma carta, en-

dereçada ao “Ilmo. Sr. Alioune Diop”, na qual dizia:

Valemo-nos do presente para apresentar a V. S. o professor Israel de

Castro, Diretor- Tesoureiro da Associação Cultural do Negro – São Pau-

lo, Brasil – que se dirige à Europa em missão de estudos, estando autori-

zado pela Diretoria Executiva de nossa entidade a tratar de questões re-

lacionadas com a Société Africaine de Culture

75

.

Embora ainda faltem mais pesquisas para revelar os contornos e alcan-



ces destas conexões entre lideranças, movimentos, associações e even-

tos na arena do internacionalismo negro, os indícios apontam para

contatos, entrelaçamentos e expectativas interculturais entre ativistas,

artistas e intelectuais na diáspora e a apropriação política de repertó-

rios hemisféricos com leituras locais de reivindicações. Seria interes-

sante, nesse aspecto, avaliar os vetores destes paradigmas raciais pari



passu ao ambiente de circulação e recepção de ideias, narrativas, agen-

das e projetos transnacionais traduzidos em âmbito local e vice-versa.

Quando entrevistado, Oswaldo de Camargo argumentou que havia na

ACN “debate sobre a negritude [francófona], informações sobre a revo-

lução que transcorria na África”. Contudo, a “influência maior” para a

associação teria sido “a Renascença Negra [Black Renaissance] Ameri-

cana, aquele movimento de recuperação de valores negros, mas dentro

de um grande pacifismo de integração sobretudo pela arte, pela escul-

tura, pela literatura etc.”

76

. Examinando a ACN por uma perspectiva



estritamente cultural, o depoimento de Oswaldo de Camargo até que

tem plausibilidade. Mas a associação foi além de sua vertente cultural






Compartilhe com seus amigos:
1   ...   16   17   18   19   20   21   22   23   ...   45


©historiapt.info 2019
enviar mensagem

    Página principal