Revista Dados 1 nº de 2018. vp


DADOS – Revista de Ciências Sociais, Rio de Janeiro, vol. 61, n o 1, 2018 Petrônio Domingues



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DADOS –


Revista de Ciências Sociais, Rio de Janeiro, vol. 61, n

o

1, 2018



Petrônio Domingues


das Mulheres de Cor, dos Estados Unidos”

68

. A ACN procurou conca-



tenar-se com a Liga Mundial Pró-Direitos do Negro – a organização

que por acordo internacional instituiu o 18 de fevereiro como Dia Mun-

dial do Negro, em 1956

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– e trocou correspondências e informações



com a National Association for the Advancement of Colored People

(NAACP), uma das mais antigas e mais influentes instituições a favor

dos direitos civis dos negros nos Estados Unidos

70

. Por sinal, Correia



Leite se lembra de um professor afro-americano que tomou conheci-

mento da existência da Associação Cultural do Negro nos Estados Uni-

dos e que, ao desembarcar em São Paulo, contratado para fazer algu-

mas conferências, dizia querer conhecer a associação e acabou sendo

ciceroneado por Américo Orlando, então secretário da Diretoria Exe-

cutiva da ACN. Tudo indica que a proposta de instalação da “Comis-

são de Solidariedade aos Povos Africanos” reverberou na África por-

tuguesa, pois a associação recebeu publicações do Movimento Popular

de Libertação de Angola (MPLA) por um período (Leite, 1992:175). Em

1958, ela recebeu em sua sede a visita da comitiva do “Ballets Africains”,

dirigido por Keita Fodeba, da Guiné. Na cerimônia de recepção, foi

lido o seguinte discurso:

A Associação Cultural do Negro não poderia deixar de registrar com

satisfação a presença de Vv. Ss. em nosso país, e particularmente em

nossa sede social. A Diretoria Executiva da entidade, interpretando os

sentimentos de seus associados e colaboradores, vem congratular-se

com esse elenco, pelo brilhante trabalho de divulgação da cultura ne-

gra, desenvolvido através de excursões a numerosos países da África,

Europa e América. Apesar de conhecermos pouco da África contempo-

rânea, temos acompanhado com interesse e simpatia os movimentos aí

desenvolvidos em favor da sua emancipação social, econômica, políti-

ca e cultural. Manifestações como o I Congresso de Escritores e Artistas

Negros, realizado em setembro de 1956 em Paris e os movimentos de

autodeterminação de numerosas nações africanas, repercutiram e re-

percutem no Brasil, e os apelos lançados pelas vozes poderosas de

Aimé Césaire, Birago Diop, Léopold Sédar Senghor, David Diop e tan-

tos outros ressoam ainda fortemente em nosso país

71

.



De fato, como o próprio Correia Leite relatou a posteriori, o I Congresso

Mundial de Escritores e Artistas Negros – que reuniu na França em

1956 intelectuais africanos e da diáspora para debaterem a “contribui-

ção original da cultura negra à civilização” e (re)afirmarem discursos

em torno do conceito de negritude, que preconizava o orgulho negro, a




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