Revista Dados 1 nº de 2018. vp


DADOS – Revista de Ciências Sociais, Rio de Janeiro, vol. 61, n o 1, 2018 Petrônio Domingues



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DADOS –


Revista de Ciências Sociais, Rio de Janeiro, vol. 61, n

o

1, 2018



Petrônio Domingues


cos, representantes de secretaria de governo, do Ministério Público, de

corporações militares, de clubes negros, de grupos artístico-culturais,

organizações civis, políticas, sindicais e estudantis

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. Os trabalhos fo-



ram abertos por Geraldo Campos de Oliveira, presidente da ACN, que

foi seguido por diversos oradores. Todos condenaram o quadro vigen-

te na União Sul Africana, a “vergonha da civilização”. Mereceu aten-

ção também a situação da África portuguesa, tendo sido denunciados

os massacres em São Tomé e o “regime de terror” imposto pelas autori-

dades portuguesas aos “nativos de Angola, Moçambique e outros ter-

ritórios de ultramar”, os quais se encontram com os seus “cárceres e

campos de concentração cheios de pessoas que lutam pela indepen-

dência de sua pátria e contra as discriminações raciais”. No final dos

trabalhos, foi aprovada a divulgação do seguinte manifesto:

As entidades e pessoas reunidas no memorável ato público promovido

pela Associação Cultural do Negro, na sede da Associação Paulista de

Imprensa, na noite de 25 de abril do corrente ano, e que subscrevem o

presente manifesto, entendem que ninguém pode ficar indiferente aos

clamores por liberdade, justiça e democracia, partidos das vítimas do

massacre determinado pelo governo da União Sul Africana. Os aconte-

cimentos sangrentos de Shaperville representam o ressurgimento de

tudo aquilo contra o que a Humanidade lutou duramente no último

conflito mundial. O mundo se encontra diante de uma absurda tentati-

va de restauração dos fundamentos ideológicos de nazi-fascismo, que

são os fundamentos do “apartheid”, com sua violenta negação do direi-

to à liberdade, à igualdade, à justiça e à vida aos homens, mulheres e

crianças negras sul africanas. […] Com base nas convenções internacio-

nais, que o Brasil honradamente subscreveu, e protestando contra as

violências cometidas pelo nazifascista governo sul-africano, e nos soli-

darizando ainda com as massas negras, na sua luta pela liberdade, en-

tendemos de apelar para o Governo Brasileiro, no sentido de que rom-

pa definitivamente as relações diplomáticas e comerciais com a União

Sul Africana, em defesa da Humanidade

61

.



Foi constituída a “Comissão de Solidariedade aos Povos Africanos”

62

.



De igual maneira foi deliberada a realização de uma campanha públi-

ca, e diversos representantes da sociedade civil assinaram o manifesto.

Dezoito dias depois daquele ato, a Comissão de Solidariedade aos Po-

vos Africanos – da qual a ACN assumia papel dirigente – realizou um

comício na praça da Sé, no centro de São Paulo, em homenagem ao 13

de Maio (“data da libertação dos escravos no Brasil”) e de solidarieda-






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