Revista Dados 1 nº de 2018. vp



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E

m 1954, José de Assis Barbosa, conhecido por Borba, encontrou-se

por acaso com seu antigo amigo José Correia Leite no centro de São

Paulo. Entre cumprimentos e salamaleques, resolveram colocar a con-

versa em dia e, como cidadãos bem informados, falaram sobre um as-

sunto que mobilizara a opinião pública: as comemorações do quarto

centenário da cidade de São Paulo. Os eventos foram aparatosos, ha-

vendo muitas homenagens às diversas “colônias” de imigrantes euro-

peus (italianos, espanhóis e portugueses, sobretudo). Tidos como os

responsáveis pelo desenvolvimento, progresso e modernização de São

Paulo, tais imigrantes e seus descendentes foram rememorados, cele-

brados e festejados aos píncaros, ao passo que a contribuição do negro

não foi devidamente reconhecida na efeméride. Segundo Correia

Leite, isso aconteceu porque não havia uma entidade organizada para

tratar dessa questão. Foi quando, ainda inconformado, ele se deparou

com Borba, que lançou a ideia de criar uma entidade de “propaganda

em defesa dos valores negros” (Leite, 1992:163)

1

.



Para ambos, o associativismo não era nenhuma novidade. Borba,

quando jovem, na década de 1920, era atleta e participou de vários clu-

bes de futebol formados apenas por “homens de cor”, como se dizia na

época. Simultaneamente, fez parte do quadro de associados do Centro

Cívico Palmares (1926-1929), colaborou com o jornal da imprensa ne-

gra O Clarim da Alvorada e, mais tarde, foi um dos fundadores do Clube

Negro de Cultura Social (1932-1938)

2

. José Correia Leite, por sua vez,



http://dx.doi.org/10.1590/001152582018150




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