Revista da sociedade portuguesa de medicina interna


P40 ALEXIA SEM AGRAFIA: A DESCRIÇÃO DE 3 CASOS



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ALEXIA SEM AGRAFIA: A DESCRIÇÃO DE 3 CASOS

Daniela Garcez

1

, Ângela Abreu



2

, Elsa Parreira

2

, Ilda Costa



1

José Bravo Marques



1

1

Serviço de Neurologia, Instituto Português de Oncologia de Lisboa; 

2

Serviço de Neurologia, Hospital Professor Doutor Fernando Fonseca, Amadora

Introdução: A alexia sem agrafia constitui uma alteração da lin-

guagem rara, caracterizada pela perturbação isolada da leitura, 

tendo sido descrita inicialmente por Déjerine (1892) que advo-

gou tratar-se de uma síndrome de desconexão entre o córtex 

occipital e a circunvolução angular do hemisfério dominante. 




LIVRO DE RESUMOS

44

Estudos posteriores sugeriram que a área responsável pela 



interpretação dos grafemas, a “Visual Word Form Area”, está 

localizada na circunvolução fusiforme esquerda. Comunmen-

te atribuída a lesões isquémicas da artéria cerebral posterior 

esquerda, etiologias não vasculares também podem estar na 

origem desta síndrome.

Casos Clínicos: Caso 1: Homem de 79 anos, dextro, com an-

tecedentes de leucemia linfocítica crónica e síndrome demen-

cial indolente, internado por pneumonia adquirida na comuni-

dade, passou a ser incapaz de ler de forma súbita, contudo, 

mantinha a capacidade de escrita conservada. Ao exame neu-

rológico apresentava perturbação da memória a curto prazo, 

anomia e alexia global sem agrafia. A TC CE revelou um AVC 

occipital esquerdo.

Caso 2: Homem de 69 anos, dextro, com cardiopatia isqué-

mica,  patologia  valvular,  fibrilhação  auricular  hipocoagulada 

e portador de CRT-P foi internado por taquicardia ventricular 

sustentada submetido a cardioversão elétrica. Desde então, 

apresentava muita dificuldade na leitura. Ao exame neurológico 

apresenta  leitura  letra-a-letra,  sem  dificuldade  na  escrita  es-

pontânea ou por ditado. Realizou TC CE que revelou múltiplas 

lesões vasculares cerebrais, umas das quais em localização 

temporo-occipital esquerda.

Caso 3: Homem de 51 anos, dextro, com glioblastoma occi-

pital esquerdo há dois anos, que se manifestou clinicamente 

por hemianópsia homónima direita, submetido a cirurgia, radio-

terapia e quimioterapia, desenvolve dificuldade progressiva da 

leitura, tornando-se cada vez mais lenta. Ao exame neurológico 

para além do defeito campimétrico, apresentava leitura letra-a-

-letra, sem dificuldade proporcional na escrita, que estava con-

servada. A RM CE demonstrou recidiva tumoral local.

Discussão: Descrevemos três doentes com alexia sem agrafia 

de etiologias diferentes, cujo quadro nos permite localizar to-

pograficamente a lesão à região temporo-occipital esquerda.

Conclusões: Ressalta-se a importância de testar a leitura e es-

crita na avaliação dos doentes com alterações da linguagem 

adquiridas  para  melhor  caracterização  e  identificação  desta 

síndrome que, embora de etiologia vascular mais frequente, 

também poderá ter outras causas.






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