Revista da sociedade portuguesa de medicina interna


P38 SÍNDROME DE FOIX-CHAVANY-MARIE



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SÍNDROME DE FOIX-CHAVANY-MARIE: 

APRESENTAÇÃO CLÍNICA RARA APÓS ACIDENTE 

VASCULAR CEREBRAL ISQUÉMICO

Pedro Simões, João Pacheco Pereira, Teresa Mesquita, Rita Simões, 

Ana Maria Braz, Teresa Nunes, Francisco Pestana Araújo, 

José Lomelino Araújo



Hospital Beatriz Ângelo

Introdução:  A síndrome Foix-Chavany-Marie (SFCM), ou bi-

-opercular, é um subtipo raro de paralisia pseudo-bulbar dos 

pares cranianos inferiores, cuja etiologia mais frequente é a le-

são isquémica bilateral dos opérculos cerebrais.

Caso Clínico: Apresentamos o caso de uma mulher de 64 

anos, com história de acidente vascular cerebral (AVC) prévio 

sem défices motores sequelares, que foi admitida por um qua-

dro de início súbito de disartria e disfagia graves, paralisia facial 

central bilateral e paralisia da língua (NIHSS 4). A mímica facial 

espontânea e os reflexos automáticos mantinham-se inaltera-

dos. A ressonância magnética cranio-encefálica (RM-CE) mos-

trou uma lesão isquémica crónica temporal, insular, parietal e 

précentral direita e uma lesão isquémica de provável cronologia 

subaguda frontal inferior e média esquerda, ambas com en-

volvimento opercular. Teve alta mantendo os mesmos défices, 

embora tolerando dieta mole e líquidos com espessante por via 

oral. Aos 8 meses após a alta clínica, sob o apoio de terapia da 

fala, destaca-se a resolução completa da disfagia, mantendo 

contudo disartria e apraxia bucofacial marcadas.

Discussão: O SFCM é caracterizado por um quadro de paralisia 

facio-labio-faringo-glosso-mastigatória, associado a disfagia, 

disartria e apraxia bucofacial, em que ocorre dissociação entre 

os movimentos voluntários e automáticos. O AVC isquémico 

bilateral é a etiologia mais frequente para o SFCM, sendo raros 

os casos de SFCM causados por lesões operculares unilate-

rais. Na doente apresentada, consideramos que o quadro clíni-

co é justificado pela lesão isquémica com atingimento opercu-

lar esquerdo de novo visualizada na RM-CE, em associação a 

uma lesão crónica contralateral já conhecida resultante de um 

AVC prévio. A taxa de recuperação dos défices é habitualmen-

te reduzida, sendo essencial a avaliação correta da deglutição 

e do discurso bem como uma referenciação precoce para rea-

bilitação com terapia da fala para optimização do prognóstico e 

minimização das complicações. No caso referido, verificou-se 

uma resolução completa da disfagia, embora sem melhorias 

significativas  da  disartria  e  da  apraxia  bucofacial,  apesar  da 

realização de terapia da fala ao longo de 8 meses. 

Conclusões: O SFCM é uma síndrome rara, com baixo po-

tencial para recuperação do discurso e da deglutição, sendo 

essencial um diagnóstico precoce e uma referenciação rápida 

para a terapia da fala.






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