Revista da sociedade portuguesa de medicina interna


P35 A IMPORTÂNCIA DA ABORDAGEM MULTIDISCIPLINAR



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A IMPORTÂNCIA DA ABORDAGEM MULTIDISCIPLINAR 

NO ENFARTE CEREBELOSO EXTENSO

Miguel Quintas-Neves, Cristiano Antunes, Tiago Gil-Oliveira

Ricardo Moreira, Raquel Carvalho, Jaime Rocha

Serviço de Neurorradiologia, Hospital de Braga

Serviço de Neurocirurgia, Hospital de Braga

Introdução: 3,2% das idas ao serviço de urgência (SU) por 

vertigens são enfartes cerebelosos. Os sintomas mais comuns 

são náuseas/vómitos, cefaleias e vertigens. A doença vascu-

lar aterosclerótica e a cardioembolia são etiologias frequentes, 

estando a fibrilação auricular (FA) frequentemente associada à 

última. Um dos vasos mais acometidos é a artéria cerebelosa 

postero-inferior (PICA). A cirurgia está indicada nos enfartes as-

sociados a edema com efeito de massa sobre o IV ventrículo. 

Descreve-se um caso cujo diagnóstico diferencial com neopla-

sia tem pertinência e atesta-se a importância de um rápido e 

correto diagnóstico no SU.

Caso Clínico: Masculino, 78 anos, diabético e com dislipide-

mia, anti-agregado com aspirina, referenciado por desequilí-

brios e vertigens com tomografia computorizada crânio-ence-

fálica (TC-CE) a sugerir neoformação cerebelosa e hidrocefalia. 

O eletrocardiograma revelava FA com resposta ventricular rá-

pida. Recorrera ao SU 2 dias antes, tendo diagnóstico de ver-

tigem posicional paroxística benigna. Objetivou-se escala de 

coma de Glasgow (GCS) 9, localização assimétrica da dor e 

anisocoria. Optou-se por realizar ressonância magnética crâ-

nio-encefálica (RM-CE) com difusão que revelou extensa lesão 

isquémica aguda cerebelosa em território da PICA. Procedeu-

-se a craniectomia descompressiva com aspiração do tecido 

necrosado. A TC-CE pós-operatória demonstrou boa descom-

pressão e ausência de complicações. Às 24 horas objetivava-

-se GCS 14.

Discussão: Mesmo com Dix-Hallpike positivo, considerando a 

faixa etária e fatores de risco vascular, a TC-CE é essencial. 

A marcada hipodensidade cerebelosa de limites mal definidos 

tornou a hipótese de lesão infiltrativa provável. Pela discrepân-

cia entre grau de hidrocefalia e deterioração neurológica, assim 

como o tempo de evolução clínica e presença de FA, optou-se 

por efetuar uma RM-CE. Pela restrição à difusão em território 

da PICA, edema vasogénico e componente hemorrágico, con-

cluiu tratar-se de lesão isquémica aguda com transformação 

hemorrágica. Se a ressonância não fosse realizada, colocar-se-

-ia apenas derivação ventricular para controlo da hidrocefalia, 

sem craniectomia. Não havendo atingimento isquémico do 

tronco cerebral o prognóstico é bastante satisfatório.

Conclusões: Este caso demonstra a importância de considerar 

o diagnóstico de enfarte cerebeloso em idoso com síndrome 



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