Revista da sociedade portuguesa de medicina interna


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MONITORIZAÇÃO CARDÍACA INVASIVA NO AVC 

CRIPTOGÉNICO

Rita Moça, Inês Costa, Emanuel Araújo, Paulo Chaves, Luísa Fonseca, 

Jorge Almeida

Unidade de AVC, Serviço de Medicina Interna, Centro Hospitalar de São João 

Introdução: O Acidente Vascular Cerebral (AVC) isquémico é 

uma das principais causas de morte e incapacidade. A sua 

causa permanece inexplicada em 20 a 40% dos casos, sendo 

classificado como AVC criptogénico. A fibrilhação auricular (FA) 

paroxística é um dos mecanismos reconhecidos como cau-

sa de AVC criptogénico, cuja terapêutica dirigida tem eficácia 

comprovada.

Caso Clínico: Mulher, 70 anos, antecedentes de hemorragia 

lobar frontal esquerda, por malformação arterio-venosa, sub-

metida a radiocirurgia em 2012, com hemihipostesia direita e 

epilepsia sequelares. Em consulta, referia episódios de palpita-

ções, que motivaram a realização de Holter, registo em ritmo si-



LIVRO DE RESUMOS

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nusal com algumas extrassístoles supraventriculares, iniciou te-



rapêutica com bisoprolol. Recorreu ao serviço de urgência por 

hemianopsia homónima esquerda, hemiparésia direita G4+/5, 

hipostesia discreta da hemiface direita e membro superior direi-

to, sem ataxia - NIHSS 4. TC-CE sem alterações. Admitida na 

unidade de AVC. Repetiu TC-CE 5 dias depois, que mostrou 

pequena hipodensidade cortico-subcortical occipital parame-

diana direita. O estudo etiológico realizado, incluindo ecocar-

diograma transesofágico, não revelou alterações. Sem registo 

de FA na monitorização durante os 7 dias de internamento. 

Apresentou melhoria clínica, com NIHSS 2 (1 quadrantanópsia, 

1 sensibilidade) à data de alta. Dada a localização do enfarte, 

assim como as queixas de palpitações que a doente referia

decidido a colocação de monitor cardíaco implantável, que do-

cumentou episódios de FA, ao fim de 2 meses. Suspensa a 

anti-agregação e iniciada hipocoagulação oral. 

Discussão: A FA causa aproximadamente 16% dos AVC isqué-

micos. Dado ser frequentemente paroxística e assintomática, 

pode não ser detetada. Atualmente preconiza-se 24h de moni-

torização dos doentes com AVC para descartar a existência de 

FA, deixando-se ao critério do clínico estratégias de monitoriza-

ção mais prolongadas. O monitor cardíaco implantável parece 

detetar mais 10% de casos de FA que as técnicas tradicionais 

de monitorização cardíaca, no entanto, o conjunto de doentes 

que beneficia deste tipo de monitorização precisa ser melhor 

definido.

Conclusões: No caso da doente apresentada, a monitorização 

cardíaca invasiva foi decisiva para o diagnóstico de FA e o início 

de hipocoagulação, reduzindo assim a probabilidade de recor-

rência de eventos isquémicos.




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