Revista da sociedade portuguesa de medicina interna


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QUANDO O AVC DURA 1 HORA

Diana Coutinho, Carmen Corzo, Sílvia Lourenço, Luísa Rebocho



Unidade de AVC, Hospital do Espírito Santo de Évora 

Introdução:  Recentemente  foram  alteradas  as  definições  de 

AVC isquémico e Acidente isquémico transitório (AIT): um 

doente com défices neurológicos focais e/ou alteração do es-

tado de consciência com duração <1hora, sem alteração ima-

giológica, tem o diagnóstico de AIT. Será que é assim tão fácil 

o diagnóstico diferencial entre estas duas entidades? Será que 

a TAC-CE poderá ser o exame de imagem de exclusão de AVC 

isquémico agudo ou continuamos a depender da RMN-CE?

Caso Clínico: Homem, 77 anos, antecedentes de HTA, Dislipi-

demia e DPOC, sob ARA, estatina e anticolinérgico inalado. Ini-

cia quadro súbito e inaugural de perda de equilíbrio, diminuição 

da força no membro inferior esquerdo e cefaleia frontal sem ir-

radiação, com 45 minutos de evolução. No SU, sem alterações 

no exame objetivo, avaliação analítica assim como no ECG e 

TAC-CE. Decidiu-se internamento na Unidade de AVC com o 

provável diagnóstico de AIT, score ABCD2 AIT de 3. Feito es-

tudo etiológico subsequente com avaliação analítica, ECG e 

Ecocardiograma sem alterações relevantes. Ecodoppler caro-

tídeo e transcraniano, revelou estenose pré-oclusiva (90-99%) 

da artéria carótida comum e artéria carótida interna direitas. 

RMN crânio, identificou múltiplas lesões vasculares isquémicas 

agudas no território da ACM direita. Nas imagens de angio-R-

MN, redução do sinal e diminuição do calibre do segmento pe-

trocavernoso da carótida interna direita, bem como do sinal do 

segmento M1 e ramos opérculo insulares da ACM homolateral, 

com estenose proximal da carótida interna. Neste contexto, foi 

submetido a angiografia dos vasos do pescoço e cerebral que 

identificou estenose 90-95% na ACI direita, com colocação de 

stent e início de dupla antiagregação, estatina de alta dose e 

antihipertensor. Apesar da reversão espontânea da sintomato-

logia neurológica num período inferior a 1 hora, o doente teve 

alta, clinicamente bem, com diagnóstico de AVC isquémico.

Discussão e Conclusões: Em doentes com suspeita de AVC 

e/ou AIT, a investigação etiológica é fundamental. A RMN é 

mais sensível e específica do que a TC-CE não contrastada e 

é a modalidade preferida quando a confirmação diagnóstica é 

necessária. A RMN com angiografia foi um grande avanço no 

diagnóstico.  Com  a  apresentação  deste  caso  clínico  define-

-se a importância da suspeita clínica e da correta realização 

de uma marcha diagnóstica e estudo etiológico, a fim de evitar 

diagnósticos incorrectos que poderiam conduzir a abordagens 

terapêuticas incorretas ou deficitárias. 




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