Revista da sociedade portuguesa de medicina interna


P21 AVC ISQUÉMICO EM DOENTE HIPOCOAGULADO



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AVC ISQUÉMICO EM DOENTE HIPOCOAGULADO. 

QUAIS AS OPÇÕES TERAPÊUTICAS?

João Ferreira-Coimbra, Ana Aires, Luís Braz, Pedro Castro, 

Luciana Ricca Gonçalves, Elsa Azevedo, Paulo Chaves, Luísa Fonseca

Unidade AVC, Serviço Neurologia, Serviço Imunohemoterapia, 

Centro Hospitalar de São João

Introdução: Mesmo após a aprovação da trombectomia mecâ-

nica (TM) no tratamento agudo do Acidente Vascular Cerebral 

(AVC) a trombólise endovenosa (rTPA EV) continua a desempe-

nhar um papel-chave na abordagem desses doentes.

Caso Clínico: Reportamos o caso de um homem de 76 anos, 

previamente autónomo, medicado com dabigatrano (110mg 

bid) por fibrilhação auricular não valvular, admitido no serviço 

de urgência por instalação súbita de afasia, hemianopsia ho-

mónima direita, desvio conjugado do olhar para a esquerda

disartria e hemiparesia direita, NIHSS 15. Realizou TC cerebral 

que demonstrou hiperdensidade espontânea no ramo M2 da 

artéria cerebral média esquerda, sem sinais precoces de is-

quemia  (ASPECTS  10).  A  angioTC  confirmou  a  presença  de 

trombo, contudo inacessível ao tratamento endovascular. Estu-

do da coagulação apresentava aPTT 28,5 seg (N- 24-36 seg), 

mas dada a informação de terapêutica com dabigatrano e a 

impossibilidade de confirmação da última toma, por afasia do 

doente, foi decidido administrar idarucizumab (após obtenção 

de consentimento informado) na dose de 2,5mg, ev. Após con-

firmação de valores infraterapêuticos de dabigatrano - 16ng/

dl (Vale: 28-155ng/ml), não foi administrada segunda dose de 

idarucizumab, tendo o doente iniciado tratamento trombolítico 

com alteplase três horas e meia após início de sintomas. No 

final da trombólise pontuava 10 na escala de NIHSS e 2 às 24h. 

TC de controlo revelou enfarte frontoinsular esquerdo sem ou-

tras complicações; ecoDoppler transcraniano sem alterações 

hemodinâmicas evidentes nos vasos intracranianos. 

Discussão: Apesar de o doente em questão não apresentar 

níveis terapêuticos de dabigatrano, não sendo, por isso, ne-

cessário realizar a dose completa de idarucizumab, este caso 

permite alertar para a possibilidade de utilização do mesmo, 

permitindo a realização de rTPA EV em casos particulares. 

Conclusão: Nos doentes com AVC isquémico agudo, com evi-

dência de trombo, hipocoagulados, a TM é o tratamento de 

eleição. No entanto, este nem sempre é possível. No caso de 

hipocoagulação prévia com dabigatrano, em que não é possí-

vel realizar TM, poderá ser equacionada a utilização de idaru-

cizumab para reversão do efeito do fármaco, permitindo reali-

zação de rTPA EV.






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