Revista da sociedade portuguesa de medicina interna


P07 TROMBOSE VENOSA CEREBRAL – O DESAFIO DO



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TROMBOSE VENOSA CEREBRAL – O DESAFIO DO 

DIAGNÓSTICO CLÍNICO – CASUÍSTICA DE UMA 

UNIDADE DE DOENÇAS CÉREBRO VASCULARES 

Tiago Esteves Freitas, Carolina Barros, Carolina Morna

 Patrício Freitas, Duarte Noronha, Rafael Freitas, Luz Brazão

Unidade de Doenças Cerebrovasculares, Hospital Central do Funchal

Introdução: A trombose venosa cerebral (TVC) é um diagnós-

tico raro e difícil, devido à variadíssima manifestação de sinais 

e sintomas e ocorre comummente em doentes com menos 

de 50 anos. Corresponde a 1% dos Acidentes Vasculares Ce-

rebrais (AVC) e sua incidência anual ronda os 0.22 casos por 

100.000 em Portugal.

Material e Métodos: Análise retrospetiva através da revisão de 

processos clínicos de internamento e consulta externa.

Resultados: Durante um período de 33 meses (janeiro 2015 a 

setembro 2017) foram admitidos 16 doentes com TVC na Uni-

dade de Doenças Cerebrovasculares (U-DCV). Dois doentes 

do sexo masculino e 14 do sexo feminino. A média de idades 

para o sexo feminino foi de 39 anos (18 a 76 anos) e para o 

sexo masculino de 51 anos. Os sintomas mais frequentes fo-

ram a cefaleia (12 casos), sendo esta holocraneana em cinco 

doentes, as náuseas (8 casos), os vómitos (7 casos), o défice 

neurológico (3 doentes) e a crise convulsiva (2 doentes). Um 

doente apresentava edema da papila óptica. O aparecimento 

dos sintomas foi súbito em sete doentes. 

A tomografia computorizada crânio-encefálica (TC-CE) sugeriu 

o diagnóstico em 13 doentes, sendo que os restantes realiza-

ram ressonância magnética crânio encefálica (3). Os seios ve-

nosos mais frequentemente atingidos foram o lateral (9 doen-

tes) e o sigmoide (8 doentes). Oito doentes do sexo feminino 

tomavam anticonceptivos orais, duas doentes eram puérperas 

e uma doente apresentava síndrome anti fosfolipídeo. Um dos 

doentes do sexo masculino apresentava doença oncológica 

ativa. Todos os doentes foram tratados na fase aguda com 

heparina. Catorze doentes iniciaram hipocoagulação oral com 

Varfarina após a fase aguda. 5 destes cumpriram esta tera-

pêutica durante 12 meses, 7 doentes ainda a cumprem neste 

momento e 2 cumprirão ad eternum. Apenas um doente não 

teve uma recuperação funcional completa.

Discussão: O diagnóstico de TVC deve ser considerado nos 

doentes com cefaleia, por vezes acompanhada de náuseas e 

vómitos e de caráter súbito. A prevalência é superior no sexo 

feminino e os anti conceptivos orais constituem um dos fatores 

de risco mais importantes. A incidência na nossa população 

variou entre 1.49 a 2.9 por 100.000 habitantes/ano.

Conclusões: Apesar de ser uma entidade rara, a TVC pode 

condicionar morbilidade significativa. O tratamento inclui esta-

bilização inicial, hipocoagulação e pesquisa de fatores de ris-

co. A hipocoagulação oral após alta e a sua duração deve ser 

equacionada caso a caso.




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