Revista da sociedade portuguesa de medicina interna


P06 CASUÍSTICA - DISSEÇÕES DA ARTÉRIA CARÓTIDA



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CASUÍSTICA - DISSEÇÕES DA ARTÉRIA CARÓTIDA 

INTERNA

Andreia Costa, Rita Raimundo, Michel Mendes, Andreia Veiga 

 

Serviço de Neurologia/Unidade de AVC, Hospital de Vila Real

Centro Hospitalar de Trás-os-Montes e Alto Douro

Introdução:  A disseção carotídea resulta de uma laceração 

longitudinal da parede vascular por hematoma mural e é uma 

causa importante de AIT e AVC isquémico sobretudo nos adul-

tos jovens. 

Material e Métodos: Foi efetuada uma revisão retrospetiva dos 

doentes internados no Serviço de Neurologia e Unidade de 

AVC de um Hospital distritral, num período de 5 anos (2012-

2016) com o diagnóstico de disseção carotídea.

Resultados: Foram identificados 10 doentes com disseção da 

carótida interna, 7 do sexo masculino, com uma idade média 

ao diagnóstico de 45,1 anos. A etiologia traumática verificou-

-se em 40% dos casos. Relativamente à clínica, a cefaleia foi 

documentada em 50%, a cervicalgia em 40% e o síndrome de 

Horner (incompleto) em 10%. O AVC foi clínica de apresen-

tação em 70% dos doentes. O diagnóstico foi realizado por 

TC com contraste e confirmado posteriormente por angioRM 

em 40% dos casos, AngioTC em 30% e arteriografia em 30%. 

Angiograficamente observou-se estenose com lentificação do 

fluxo (60%), oclusão (30%) ou aneurisma dissecante (10%), lo-

calizados à direita (40%), à esquerda (40%) ou bilateralmente 

(20%). Cinco doentes com AVC tinham uma limitação impor-

tante à admissão (Rankin 5), 6 meses depois apenas um man-



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18º CONGRESSO DO NÚCLEO DE ESTUDOS DA DOENÇA VASCULAR CEREBRAL 

tinha limitação funcional (Rankin de 0 nos restantes). Um doen-

te perdeu seguimento. Iniciou-se hipocoagulação em 90% dos 

casos e antiagregação plaquetar dupla em 10%. Foi realiza-

da  fibrinólise  em  30%,  em  contexto  de  AVC.  Nas  disseções 

espontâneas, o único fator de risco identificado foi HTA em 3 

doentes.


Discussão: Apesar de estarmos perante uma amostra muito 

pequena, podemos verificar a elevada taxa de acidente vascu-

lar cerebral nestes doentes, assim como documentar a expres-

são clínica e imagiológica variável.

Conclusões: Apesar de incomum, a hipótese de disseção ca-

rotídea deve ser colocada perante um evento vascular cere-

bral em idades relativamente jovens e na presença de clínica 

sugestiva. Em geral o prognóstico é bom e o uso precoce de 

hipocoagulação/antiagregação é essencial para eliminar o risco 

de eventos isquémicos.






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