Revista da sociedade portuguesa de medicina interna


CC24 TROMBÓLISE INTRAVENOSA NO IDOSO COM MAIS



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CC24

TROMBÓLISE INTRAVENOSA NO IDOSO COM MAIS 

DE 80 ANOS – RESULTADOS DE UMA UNIDADE 

DE ACIDENTES VASCULARES CEREBRAIS

Carla Eira, Ângela Mota, Rachel Silvério, Mafalda Miranda, 

Pedro Ribeiro, Ana Gomes, António Monteiro

Serviço de Medicina, Centro Hospitalar Tondela Viseu

Introdução e Objetivos: O acidente vascular cerebral (AVC) é 

a principal causa de morte em Portugal e a sua incidência au-

menta exponencialmente com a idade. A trombólise intraveno-

sa com ativador do plasminogénio tecidular recombinante (IV-

-rtPA) representa um avanço no tratamento do AVC isquémico 

e o seu uso no idoso >80 anos foi alvo recente de discussão.

Material e Métodos: Estudo retrospetivo no período de janeiro 

de 2010 a dezembro de 2015 que incluiu doentes >80 anos 

admitidos numa Unidade de Acidentes Vasculares Cerebrais por 

AVC isquémico e que foram submetidos a IV-rtPA. Foram anali-

sadas variáveis demográficas, clínicas, ocorrência de hemorra-

gia intracraniana e prognóstico. A análise estatística foi realizada 

com o software Statistical Package for Social Sciences.

Resultados:  Incluídos 45 doentes, idade média 84,4 anos e 

predomínio do sexo feminino (62,2%). Os principais fatores de 

risco foram a hipertensão arterial (68,9%) e fibrilhação auricular 

(62,2%). Todos os casos correspondiam a AVC da circulação 

anterior. A tomografia computorizada crânio-encefálica mostrava 

sinais de isquémia precoce em 51,1% doentes e 46,7% esta-

vam sob terapêutica com antiagregante plaquetar. Na maioria 

dos casos, a IV-rtPA foi realizada até às 3 horas (82,2%). O score 

médio do National institute of Health Stroke Scale na admissão 

foi 15,1 e pós IV-rtPA 11,3 pontos. Verificou-se transformação 

hemorrágica em 22,2%, com pior prognóstico aos 3 meses 

(p=0,000). Ocorreram intercorrências infeciosas em 33,3%. A 

duração do internamento foi 14,0 dias. À data de alta, o score 

da escala de Rankin modificada (mRS) foi 3,2, taxa de mortali-

dade de 15,5% e 42,2% dos doentes apresentavam mRS en-

tre 0-2. Aos 3 meses a taxa de mortalidade foi 37,8% e 33,3% 

apresentavam mRS entre 0-2. A gravidade do AVC e duração de 

internamento inferiores associaram-se a melhor prognóstico aos 

3 meses (p=0,025 e p=0,005, respetivamente).

Discussão:  Alguns dos resultados obtidos estão de acordo 

com dados de outros estudos. O aumento da idade está as-

sociado a pior prognóstico e a hemorragia intracraniana é uma 

das preocupações da IV-rtPA. A incidência de hipertensão ar-

terial e fibrilhação auricular aumenta com a idade, ambas asso-

ciadas a maior risco de AVC.

Conclusões: A idade não deve ser um critério de exclusão, 

uma vez que doentes devidamente selecionados podem be-

neficiar da IV-rtPA, pois na sua ausência estariam confinados a 

um elevado grau de dependência ou morte.


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