Revista da sociedade portuguesa de medicina interna


CC18 PROTOCOLO DE REVERSÃO DO EFEITO DO rtPA



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CC18

PROTOCOLO DE REVERSÃO DO EFEITO DO rtPA 

EM DOENTE COM COMPLICAÇÃO HEMORRÁGICA

Alberto Fior, Alexandra Aires Santos, Ricardo Braga



Unidade Cerebrovascular, Hospital de São José, 

Centro Hospitar de Lisboa Central

Introdução: Até 6-7% dos doentes submetidos à rtPA (altepla-

se) por AVC agudo apresentam complicações hemorrágicas, 

com graves consequências no prognóstico. Existem poucos 

estudos sobre a reversão do efeito do rtPA em caso de com-

plicação hemorrágica, pelo que as orientações oficiais são es-

cassas e pouco precisas. Isto determina variabilidade na abor-

dagem e atraso no tratamento. Com a colaboração do Serviço 

de Imuno-Hemoterapia criámos dentro da nossa Unidade um 

protocolo para uniformizar a reversão do efeito do rtPA.

Material e Métodos: Realizámos uma pesquisa da bibliografia 

em PUBMED com seleção dos artigos relevantes publicados 

até 31 de maio de 2017.

Resultados: Além dos fatores de risco para transformação he-

morrágica já conhecidos e não modificáveis (idade, comorbi-

lidades, NIHSS, extensão da lesão na TAC inicial) a literatura 

sugere que a hipofibrinogenémia após rtPA, ou a redução do 

valor de fibrinogénio superior a 2 g/l antes e após rtPA (e o au-

mento dos produtos de degradação da fibrina), são os únicos 

fatores da coagulação que estão associados a um aumento 

do risco hemorrágico. A origem desta coagulopatia, definida 

coagulopatia  por  consumo  precoce  de  fibrinogénio,  está  re-

lacionada com a especificidade não completa do rtPA para a 

fibrina e com a degradação do fibrinogénio sistémico, e implica 

um papel muito importante do fibrinogénio na hemostase após 

fibrinólise. Ao mesmo tempo foi demonstrado que após rtPA 

se verifica um estado de hiperfibrinólise, e que o ácido tranexâ-

mico tem efeito de inibição da hiperfibrinólise. Assim, o nosso 

protocolo de reversão do rtPA inclui, no caso de complicação 

hemorrágica durante as primeiras 24 h após fibrinólise, admi-

nistração de concentrado de fibrinogénio e ácido tranexâmico.

Discussão: Realizamos um protocolo de reversão do efeito do 

rtPA baseado na literatura. A implementação de um protocolo 

simples é fundamental para uniformizar a abordagem das com-

plicações hemorrágicas e para encurtar o tempo até o trata-

mento. Deve considerar-se que quer o ácido tranexâmico quer 

o concentrado de fibrinogénio são medicamentos que estão 

rapidamente disponíveis na farmácia hospitalar e, ao contrário 

dos componentes sanguíneos de banco de sangue, não preci-

sam de tipagem ou de descongelação.

Conclusões: Com este protocolo esperamos melhorar o prog-

nóstico de uma situação grave como a complicação hemorrá-

gica após rtPA.


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