Revista da sociedade portuguesa de medicina interna


CC4 RISCO DE FIBRILHAÇÃO AURICULAR EM DOENTES



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CC4

RISCO DE FIBRILHAÇÃO AURICULAR EM DOENTES 

COM AVC DE ETIOLOGIA NÃO IDENTIFICADA

Rita Carvalho, André Canelas, Luís Santos, Fernando Montenegro

Catarina Ruivo, Joana Guardado, Fernando Mota Tavares, 

Célio Fernandes, João Morais



Medicina II, Hospital Santo André, Centro Hospitalar Leiria

Introdução: O Acidente Vascular Cerebral (AVC) cardioembóli-

co associa-se a elevada morbimortalidade, potencialmente evi-

tável se na presença de fibrilação auricular (FA). Muitos doen-

tes apresentam AVC de etiologia desconhecida. Scores como 

STAF (Score for the Targeting of Atrial Fibrillation) podem ser 

úteis na identificação daqueles com maior risco de FA.

Objetivo: Comparar alterações ecocardiográficas em doentes 

com AVC cardioembólicos e com AVC criptogénico. Avaliar 

aplicabilidade do score STAF. 

Material e Métodos: Estudo retrospetivo com doentes admi-

tidos por AVC isquémico. Caracterização variáveis clínicas, 

eletro e ecocardiográficas. Avaliação curva ROC para o score 

STAF. Análise estatística com STATA 14.2, para nível α de 0.05.

Resultados: Avaliou-se um total de 280 doentes com AVC is-

quémico com uma idade média 75.1±12.6 anos. O subtipo mais 

comum de AVC foi o cardioembólico (33.2%). A mortalidade 

intrahospitalar foi de 14.3%. O grupo de doentes com AVC car-

dioembólico apresentou significativamente maior morbilidade, 

quantificada por grau de incapacidade pelo score mRANKIN 

e número de complicações, bem como maior mortalidade. No 

grupo de doentes com AVC cardioembólico, 46.7% tinham 

dilatação auricular esquerda e alterações valvulares descritas 

no ecocardiograma. Dentro do grupo de doentes cuja etiologia 

não foi identificada (19.3%), 20% apresentaram extrassistolia 

supraventricular frequente ou muito frequente no Holter 24h e 

65.3% apresentou alguma alteração estrutural no ecocardio-

grama, sendo que a % de alterações ecocardiográficas entre 

estes dois grupos não foi estatisticamente significativa. A cur-

va ROC para o score de STAF apresentou um razoável poder 

discriminativo para os doentes com AVC cardioembólico, com 

uma área abaixo da curva (AUC) de 0.83, sendo que o valor 

de cutoff 6 se revelou melhor discriminador que o cutoff 5 es-

tipulado.

Conclusões: O AVC cardioembólico é prevalente e associa-se 

a elevada morbimortalidade. No AVC criptogénico, as altera-

ções no HOLTER 24h e no ecocardiograma são frequentes e 

não são significativamente diferentes do grupo com AVC car-

dioembólico, podendo sinalizar FA. Nesta população o score 

STAF  tem  um  bom  poder  discriminativo  na  identificação  do 

AVC cardioembólico. O cutoff de 6 é melhor preditivo. O follow-

-up destes doentes poderá vir a corroborar estes resultados e 

a identificar um melhor modelo para esta população.


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