Revista da sociedade portuguesa de medicina interna


PP2 TRATAMENTO ENDOVASCULAR NA TROMBOSE



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PP2

TRATAMENTO ENDOVASCULAR NA TROMBOSE 

VENOSA CEREBRAL: A PROPÓSITO DE UM CASO 

CLÍNICO

Marisa Mariano, Ana Paiva Nunes



Unidade Cerebrovascular, Hospital de São José, CHLC

Introdução: A trombose venosa cerebral (TVC), entidade clí-

nica pouco frequente, com apresentação heterogénea em se 

incluem as cefaleias, défices neurológicos, convulsões e sinais 

de hipertensão intracraniana (HTI). O tratamento passa pela 

hipocoagulação (HPC), controlo das crises convulsivas e da 

HIT. Apesar da maioria dos doentes evoluir favoravelmente sob 

HPC, nalguns casos poderá ser necessário o tratamento en-

dovascular (TEV).

Caso Clínico: Mulher de 18 anos, sem antecedentes de relevo, 

sob anticonceptivo oral. Admitida por cefaleia com 1 semana 

de evolução, parésia do membro superior direito e disartria. À 

observação inicial objectivada hemiparésia direita com face, he-

mihipostesia ipsilateral e disartria. TC não mostrava alterações 

e a veno-TC sugeria extensa trombose do seio longitudinal su-

perior (SLS). Iniciou HPC e foi transferida para a nossa unidade. 

Realizou RM que mostrava 2 áreas de edema no giro pré-cen-

tral direito pós-central esquerdo. A veno-RM confirmou trombo-

se do SLS com extensão às veias corticais.

Nas primeiras 24h de internamento iniciou crises convulsivas 

parciais simples do hemicorpo direito. Iniciou levetiracetam e 

posteriormente valproato, mas sem controlo das crises. Repe-

tiu TC que não mostrava complicações. Por persistir a ativida-

de convulsiva, agora com crises tonico-clónico generalizadas 

(CTCG), e dada a extensão da trombose foi realizado TEV. A 

angiografia cerebral mostrou extensa TVC do SLS com exten-

são das veias corticais da alta convexidade frontal. Efetuou-se 

trombectomia mecânica com remoção de alguns trombos; ad-

ministrou-se rtPA no término de ambas as carótidas, com reper-

meabilização parcial do SLS e melhoria da drenagem venosa.

Após TEV não voltou a apresentar CTCG, contudo apresenta-

va-se sonolenta, afásica, com défice motor do hemicorpo direi-

to agravado e defeito motor, de novo, à esquerda. Admitiu-se a 

hipótese de estado de mal não convulsivo e foi transferida para 

os cuidados intensivos, onde se manteve sob anticonvulsivan-

tes. O EEG mostrava atividade lenta difusa, sem paroxísmos. 

Levantada a sedação, sem evidência de novas crises, consta-

tando-se parésia facial central esquerda, disartria e hemiparé-

sia esquerda. O estudo das trombofilias foi negativo. A doente 

teve alta ao fim de 2 meses, sob HPC e 6 meses após o evento 

não apresenta défices, tendo retomado todas as atividades.

Discussão e Conclusões: Os autores pretendem alertar para a 

possibilidade de realizar TEV na TVC extensa, com critérios de 

gravidade e sem resposta clínica à HPC.



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