Revista da sociedade portuguesa de medicina interna


P86 TAKOTSUBO NO CONTEXTO DE CRISE EPILEPTICA



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TAKOTSUBO NO CONTEXTO DE CRISE EPILEPTICA

Miguel Alexandre Alves, Isabel Campos, Carina Arantes

Pedro Azevedo, Miguel Pereita, Jorge Marques

Serviço de Cardiologia, Hospital de Braga 

Introdução: As consequências sistêmicas do status epileptico 

incluem arritmias cardíacas, hipoventilação e hipoxia. Embora 

o mecanismo fisiopatológico não seja profundamente conhe-

cido, pensa-se que uma liberação excessiva das catecolami-

nas possa desencadear arritmias e assim produzir uma car-

diomiopatia de stress. A síndrome de Takotsubo apresenta-se 

geralmente de forma aguda e reversível, afetando a função do 

ventrículo esquerdo (VE).

Caso Clínico: Homem de 57 anos, autónomo, antecedentes de 

AVC isquémico e epilepsia vascular. Medicado com Zonisami-

da 100mg; Levetiracetam 1000mg; Aspirina 150mg; Fenitoina 

100mg; Sinvastatina 20mg. Admitido no Serviço de Urgência 

por crise convulsiva tónico-clónica generalizada resolvida após 

10mg de diazepam. Sem história de dor torácica, dispneia, fe-

bre, queixas gastrointestinais ou respiratórias. O TC Cerebral 

não evidenciou lesões agudas. O Eletrocardiograma mostrou 

infra desnivelamento ST de V2 a V5. Analiticamente com ele-

vação de marcadores de necrose miocárdica em doseamento 

seriado com pico Troponina I 12,3 ng/ml. O Ecocardiograma 

mostrou compromisso severo da função do VE com alterações 

da cinética segmentar. O cateterismo excluiu doença coroná-

ria. Admitido no Serviço de Cardiologia e realizou 8 dias após 

admissão, RMN Cardíaca mostrando uma função sistólica glo-

bal do VE conservada, tendo sido estabelecido o diagnóstico 

de Cardiomipatia de Stress associado a crise convulsiva. 

Discussão: A cardiomiopatia de stress ou takotsubo é uma 

síndrome mais frequente em mulheres, caracterizada por dis-

função sistólica regional transitória do VE, imitando o enfarto 

do miocárdio, mas na ausência de evidência de doença arte-

rial coronária obstrutiva ou ruptura aguda de placa. Atualmen-

te pensa-se que está atribuído ao excesso de catecolaminas

provavelmente relacionado à hiperatividade de fatores simpáti-

cos induzidos por stress de qualquer tipo, como doenças neu-

rológicas.

Conclusões:  A associação entre cardiomiopatia de stress e 

convulsões epilépticas é cada vez mais relatada e as convul-

sões podem ser o fator desencadeante da liberação de ca-

tecolaminas que promove a resposta cardiotóxica. A atuação 

precoce é imperativa, no controlo da patologia neurológica e 

consequentemente cardíaca.




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