Revista da sociedade portuguesa de medicina interna


P85 LESÃO RENAL, UMA COMPLICAÇÃO DA FIBRINÓLISE



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LESÃO RENAL, UMA COMPLICAÇÃO DA FIBRINÓLISE

E ANTICOAGULAÇÃO

Mário Rodrigues, Manuel Monteiro, João Costa, Luís Dias



Unidade Funcional Medicina 1.2, Hospital de São José

Introdução: A doença ateroembólica consiste na embolização 

arterial sistémica por cristais de colesterol após rotura de pla-

cas de ateroma. Ocorre geralmente por rotura mecânica de 

placas durante procedimentos endovasculares, sendo a reali-

zação de fibrinólise e a instituição de anticoagulação etiologias 

menos frequentes.

Caso Clínico: Homem de 69 anos, com doença ateroescleró-

tica difusa submetido previamente a bypass aortofemoral e a 

endarterectomia carotídea esquerda, além de múltiplos facto-

res de risco cardiovascular (hipertensão, dislipidémia, tabagis-

mo ativo). Admitido por quadro de instalação súbita de hemi-

parésia esquerda e disartria. Realizou angioTC que confirmou 

AVC isquémico da coroa radiária e corpo do núcleo caudado 

direito e foi submetido a fibrinólise sem recuperação dos défi-

ces neurológicos e a instituição de antiagregação, anticoagula-

ção profilática e estatina. Durante o internamento, prolongado 

por múltiplas intercorrências, verificou-se instalação de lesão 

renal com deterioração progressiva ao longo de semanas, que 

culminou na necessidade de terapêutica dialítica. Foi realizada 

biópsia renal que revelou alterações isquémicas, inflamatórias 

e “fendas” de colesterol, sugestivas de necrose tubular aguda 

e doença ateroembólica renal.

Discussão: Admitida lesão renal subaguda por ateroembolis-

mo no contexto de fibrinólise e de anticoagulação, em doente 

com doença ateroesclerótica difusa e múltiplos factores de ris-

co cardiovascular

Conclusões: O ateroembolismo é uma consequência rara da 

fibrinólise e da anticoagulação, que limitam a regeneração da 

placa de ateroma ulcerada. É frequente em homens idosos 

com doença aterosclerótica difusa. As complicações renais 

são raras, expressando-se geralmente na deterioração suba-

guda da função renal com padrão “step-like”, com períodos de 

estabilização e de agravamento. A terapêutica é de suporte e 

passa pelo controlo apertado dos fatores de risco cardiovascu-

lar, sendo o prognóstico reservado e a mortalidade significativa.






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