Revista da sociedade portuguesa de medicina interna


P79 ACIDENTE VASCULAR CEREBRAL POR EMBOLIZAÇÃO



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ACIDENTE VASCULAR CEREBRAL POR EMBOLIZAÇÃO 

SÉPTICA – UMA ETIOLOGIA INESPERADA

Mariana Barbosa, Ana Rita Marques, Cátia Costa Oliveira, 

Isabel Durães Campos, Luciana Sousa, Ilídio Brandão, Isabel Apolinário

Serviço de Medicina Interna, Hospital de Braga

Introdução: A endocardite infecciosa (EI) é uma doença grave 

associada a mortalidade elevada. As complicações neurológi-

cas são as mais frequentes (20-55%) e por vezes o modo de 

apresentação inicial, estando associadas a um pior prognóstico.

Caso Clínico: Homem, 74 anos, antecedentes de diabetes 

mellitus 2, hipertensão arterial, dislipidemia, fibrilação auricular, 

insuficiência cardíaca isquémica e valvular, prótese mitral e car-

diodesfibrilhador  implantável,  aneurisma  da  aorta  abdominal, 

anemia ferropénica, neoplasia prostática e história de interna-

mentos recentes por EI e pielonefrite. O doente iniciou quadro 

de afasia e perda da força muscular no hemicorpo direito. À 

admissão hospitalar encontrava-se hemodinamicamente está-

vel e apirético; acordado, sem resposta verbal, não cumpria 

ordens, hemianopsia homónima direita à ameaça, assimetria 

facial em desfavor da direita e hemiparesia direita, com NIHSS 

18. Do restante exame físico destacava-se sopro sistólico II/

VI.  Tomografia  computorizada  (TC)  cerebral  sem  alterações. 

Analiticamente elevação dos parâmetros inflamatórios e agra-

vamento da função renal. Foi presumido acidente vascular 

cerebral (AVC) isquémico. Contudo, durante o internamento 

e após revisão da história clinica, apurou-se que nos últimos 

três meses o doente tinha apresentado picos febris isolados 

assintomáticos, o que, associadamente ao sopro cardíaco de-

tectado no exame objectivo e os antecedentes patológicos re-

centes, levantou a hipótese diagnóstica de EI complicada com 

embolização séptica. Neste contexto realizou ecocardiograma 

transesofágico que revelou vegetações do anel protésico mitral 

e foi isolado em hemoculturas staphylococcus aureus meticili-

no-sensível. Cumpriu regime antibiótico adequado e apresen-

tou  recuperação  parcial  dos  défices  neurológicos;  foi  poste-

riormente proposto e não aceite para cirurgia cardiotorácica, 

acabando por falecer meses depois.

Discussão e Conclusões: Este caso reforça a importância da 

suspeição diagnóstica na prática clínica. Perante o diagnóstico 

de AVC num doente com factores de risco cardiovascular co-

nhecidos, foi através da integração dos dados clínicos que se 

chegou a um diagnóstico diferencial pertinente e inesperado. O 

doente com AVC deve ser encarado em todas as suas dimen-

sões e o estudo etiológico deve ser enquadrado no contexto 

clínico, requerendo uma abordagem multidisciplinar. Perante 

clínica de AVC e o diagnóstico de EI, a hipótese de emboliza-

ção séptica cerebral deve ser equacionada.




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