Revista da sociedade portuguesa de medicina interna


P74 SÍNDROME DE PERCHERON



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SÍNDROME DE PERCHERON  

– A PROPÓSITO DE UM CASO CLÍNICO

Tiago Rabadão, Mariana Teixeira, Filipa Ferreira, Joana Antunes, 

Margarida Eulálio, Dulcídia Sá, João Calhau, Rosa Jorge

Serviço de Medicina Interna, Hospital Infante D. Pedro

Introdução: A síndrome de Percheron ou enfarte talâmico bila-

teral síncrono é uma entidade clínica rara, de difícil diagnóstico 

e escassamente descrita na literatura. Um quadro isquémico 

na dependência da Artéria de Percheron (variante anatómica 

das artérias paramedianas) acompanha-se de alteração do 

nível de consciência, da linguagem, memória e dos nervos 

oculomotores. A sua principal etiologia é cardioembólica e o 

diagnóstico é feito por Ressonância Magnética.

Caso Clínico: mulher, 83 anos, admitida no Serviço de Urgên-

cia por alteração súbita do estado de consciência e queda, 

com tempo de evolução desconhecido. Antecedentes de hi-

pertensão arterial, doença renal crónica, diabetes mellitus tipo 

2 e bronquite crónica; medicada com metformina, perindopril, 

lasix, amitriptilina e esomeprazol. Ao exame objectivo, hemo-

dinamicamente estável, escala de Glasgow de 8, glicémia 

131mg/dL, auscultação cardíaca normal, com ptose palpebral 

bilateral, parésia facial central, parésia braquial bilateral grau 

4+/5, não colaborante para avaliação de força muscular nos 

membros inferiores e sinal de Babinski à esquerda. Realizou 

TC-CE e Angio-TC que não mostraram alterações. Na sequên-

cia realizou RM-CE que evidenciou lesão talâmica bilateral com 

extensão à transição diencéfalo-mesencefálica direita, compa-

tível com isquémica aguda no território das artérias paramedia-

nas. Iniciou terapêutica antiagregante com ácido acetilsalicílico 

e foi internada na UAVC. O restante estudo realizado: creatinina 

2,11mg/dL (valor basal); restantes análises, exame toxicológi-

co, electrocardiograma, radiografia do tórax, ecocardiograma 

transtorácico e Holter 24 horas sem alterações; estudo doppler 

mostrou placas de ateroma carotídeas bilaterais, sem altera-

ções no território vertebrobasilar. Cumpriu programa de reabili-

tação funcional, com boa evolução clínica. Teve alta ao 31º dia, 

mantendo parésia facial central, ptose direita e parésia braquial 

esquerda grau 4+, orientada para Consulta Externa. 

Discussão: A síndrome de Percheron é uma hipótese de diag-

nóstico a colocar no doente em coma. Neste caso, não foi 

possível documentar a sua provável etiologia cardioembólica, 

tornando essencial a manutenção do seguimento. 

Conclusões: Os autores apresentam o caso pela sua peculia-

ridade: entidade clínica rara, cujo diagnóstico requer um ele-

vado nível de suspeição e a ausência de evidência clara de 

cardioembolismo, a sua etiologia mais frequente.






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