Revista da sociedade portuguesa de medicina interna


P71 AVC EM IDADE JOVEM: O QUE PENSAR?



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AVC EM IDADE JOVEM: O QUE PENSAR? 

Albina Moreira, Miguel Borges da Silva, Adelina Pereira, Filipe Correia



Serviço de Medicina Interna, Departamento de Medicina, 

Hospital Pedro Hispano,Unidade Local de Saúde Matosinhos

Introdução: O AVC em idade jovem é menos frequente e as 

causas são mais diversificadas, justificando uma investigação 

mais exaustiva. 

Caso Clínico: Homem de 26 anos, com antecedentes de sín-

drome depressivo major (em contexto de luto). Admitido no 

serviço de urgência por défices neurológicos agudos: vígil, não 

colaborante, olhar preferencial para a esquerda, afasia global

hemianopsia homónima direita à ameaça, paresia facial central 

(PFC) direita, plegia do membro superior e paresia do mem-

bro inferior direito com força muscular grau 1; hipostesia direita 

(NIHSS:19). Estudo efectuado: anemia microcítica, hipocrómi-

ca (Hb: 8 g/dL); sem outras alterações no hemograma, bio-

química básica e estudo da coagulação. Angio TC cerebral: 

subtil hipodensidade lenticulo-caudado capsular esquerda e 

trombo no segmento M1 da artéria cerebral média esquerda 

(ACME). Assumido AVC, o doente realizou trombólise, segui-

da de trombectomia com melhoria dos défices mantendo PFC 

discreta, hemiparesia direita discreta sobretudo movimentos 

finos (NIHSS:3). Do estudo efectuado: perfil tensional normal; 

monitorização  electrocardiográfica  continua:  sem  eventos  ar-

rítmicos; perfil lipídico, HBA1C, electroforese, imunoelectrofo-

rese, função tiroideia, estudo protrombótico ecocardiograma 

e ecodoppler vasos do pescoço: normais; serologias viricas e 

sífilis negativas; cinética do ferro mostrou ferropenia, sem dé-

fice de ácido fólico nem vitamina B 12; homocisteína normal. 

Durante o internamento o doente fez 1 transfusão de glóbulos 

rubros com rentabilidade (Hb 9g/dL) e suplementação de ferro. 

Durante o seguimento em consulta, realizou estudo da anemia 

que documentou gastrite crónica com pesquisa de H. Pylori 

positiva. Após realização de tratamento de erradicação e 6 me-

ses de suplementação de ferro o doente apresenta valores de 

Hb normais (14 g/dL) sem ferropenia. RMN cerebral realizada 6 

meses após o evento agudo mostrou: sequelas do conhecido 

enfarte em território profundo da ACME sem outras alterações. 

Discussão:  O  factor  etiológico  identificado  neste  caso  foi  a 

anemia. A anemia parece ter uma relação directa com a ocor-

rência de eventos cerebrovasculares, sendo considerado um 

estado hipercinético que altera a função da membrana das cé-

lulas endoteliais e leva à formação de trombos. 

Conclusões: O AVC no adulto jovem é um desafio diagnóstico. 


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