Revista da sociedade portuguesa de medicina interna


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UM ACIDENTE NO PARTO

Filipa Ferreira, Isabel Inácio, Sara Pinto, Érica Ferreira, Dulcídia Sá, 

Rosa Jorge

Serviço Medicina Interna, Centro Hospitalar Baixo Vouga, Aveiro

Introdução: A trombose venosa cerebral (TVC) de veias cra-

nianas e seios durais é uma causa menos comum de Acidente 

Vascular Cerebral (AVC), tornando difícil o seu diagnóstico. É 

mais frequente nas mulheres, com fatores de risco associados, 

como gravidez, puerpério e anticoncepcionais orais, podendo 

também estar relacionada com fenómenos pro-trombóticos. 

Caso Clínico: Doente do sexo feminino, 22 anos, puérpera, 

previamente saudável e sem medicação habitual, recorre ao 

Serviço de Urgência (SU) por cefaleias holocranianas ocasio-

nais, referidas à região occipital, pulsáteis, com fono- e foto-

fobia, que cediam ao paracetamol 1g ev, desde o parto, há 

15 dias. Durante o trabalho de parto ocorreu punção acidental 

da duramáter aquando da colocação do cateter epidural, com 

cefaleias subsequentes, com melhoria à alta da Obstetrícia. No 

SU, apresentava-se hemodinamicamente estável, apirética, 

sem défices neurológicos e Lasègue positivo. Analiticamente, 

sem alterações. A TC-CE mostrava hiperdensidade espon-

tânea da veia cortical frontoparietal direita e de parte do seio 

sagital, sugerindo trombose venosa e fina coleção subdural hi-

podensa frontal anterior direita com alterações sugestivas de 

edema cerebral difuso. Admitida Trombose Venosa Cerebral

foi medicada com enoxaparina sc 60mg 12/12h e internada 

na Unidade de AVC (UAVC). Estável no internamento, com me-

lhoria clínica gradual, onde inicia varfarina com ajuste de dose, 

com INR alvo entre 2 e 3. Anti-dsDNA, ANAs, anti-cardiolipina 

IgM e IgG negativos. Aguarda estudo de trombofilias. Repetiu 

TC-CE aos 7 dias que revelou desaparecimento da hiperden-

sidade espontânea. Alta para a consulta de Medicina Interna, 

hipocoagulada, para realizar RM-CE em 6 meses.

Discussão: A anestesia epidural é uma técnica de anestesia 

regional amplamente utilizada, sendo a cefaleia após punção 

acidental da duramáter uma das suas complicações. A punção 

lombar é uma causa rara de TVC e habitualmente constitui um 

fator precipitante para TVC na presença de doenças pró-trom-

bóticas.


Conclusões: É importante o diagnóstico e o tratamento preco-

ce desta patologia, com o objetivo de evitar o desenvolvimento 

e progressão de complicações que conduzem a um prognósti-

co sombrio. É também importante o estudo e reconhecimento 

do fator precipitante, com vista ao planeamento da estratégia 

terapêutica e follow-up.






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