Revista da sociedade portuguesa de medicina interna


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TROMBOSE VENOSA CEREBRAL EM DOENTE COM 

HIPOTENSÃO INTRACRANIANA ESPONTÂNEA: 

CAUSA E CONSEQUÊNCIA

Maria Duarte, Raquel Rocha, Filipe Correia



Serviço de Neurologia, Unidade Local de Saúde de Matosinhos e Serviço de 

Medicina Interna, Centro Hospitalar Póvoa de Varzim/ Vila do Conde

 

Introdução: A trombose venosa cerebral (TVC) é uma patolo-



gia rara, afetando 0.0005% da população geral. A hipotensão 

intracraniana espontânea (HIE) é fator de risco para TVC mas 

apenas 2% dos doentes com HIE desenvolvem TVC. Vários 

mecanismos podem contribuir para TVC em doentes com HIE: 

estase venosa por aumento do volume de sangue intracra-

niano; lesão endotelial por gradiente de pressão intracraniano 

negativo; aumento da viscosidade sanguínea por redução da 

reabsorção de LCR.

Caso Clínico: Mulher de 43 anos com doença venosa crónica. 

Medicada com anticoncecional oral. Referenciada ao Serviço 

de Urgência por cefaleia persistente diária há 4 meses e alte-

ração inespecífica no lobo temporal esquerdo em TC cerebral. 

Cefaleias descritas como diárias, de localização occipital bila-

teral com irradiação anterior, com início após levante matinal 

e alívio ligeiro ao longo do dia e após analgesia. Sem agra-

vamento com o decúbito, náuseas ou vómitos. Sem trauma 

ou procedimentos médico-cirúrgicos recentes. Exame neuro-

lógico normal. RMN e angio-RMN cerebral: sinais compatíveis 

com hipotensão de LCR e TVC parcialmente recanalizada dos 

seios lateral e sigmoide esquerdos. Internada para estudo etio-

lógico e tratamento. Punção lombar: pressão de abertura de 

0cmH2O; proteinorráquia de 91 mg/dL; restante citoquímico 

normal. RMN medular compatível com HIE. Efetuado estudo 

exaustivo para exclusão de patologia neoplásica ou auto-imu-

ne. Por cefaleias refratárias ao tratamento conservador, realiza-

do blood patch epidural, com remissão da sintomatologia. Fís-

tula espontânea como fator etiológico provável da hipotensão 

de LCR. Alta assintomática. Reavaliação por RMN cerebral 2 

semanas após, com sinais de recanalização dos seios venosos 

e já sem evidência da captação leptomeníngea ou alterações 

de sinal do líquor.

Discussão: Os diagnósticos de HIE e TVC foram praticamente 

simultâneos pelo que o blood patch foi tardio para prevenção 

de complicações. Pela benignidade da apresentação da TVC e 

sinais de patência dos seios, considerou-se que o benefício da 

hipocoagulação já não justificava o risco.

Conclusões: A HIE pode associar-se a várias complicações, 

como hematoma e higroma subdural, paralisia de nervos cra-

nianos, herniação das amígdalas cerebelosas e TVC. Com a 

descrição deste caso pretende-se enfatizar a importância da 

deteção precoce da HIE e seu tratamento, a fim de evitar com-

plicações, alertando-se ainda para a importância da reavalia-

ção clínica e imagiológica para exclusão de TVC.




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