Revista da sociedade portuguesa de medicina interna


P48 CAUSA RARA DE AVC NO ADULTO



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CAUSA RARA DE AVC NO ADULTO: 

A PROPÓSITO DE UM CASO CLÍNICO

Ana Margarida Fernandes, Tatiana Fonseca, Marta Basto, Jean Alves

Sara Ferraz, Paulo Marçal, Ana Isabel Paixão, Paula Castelões

Serviço de Cuidados Intensivos Polivalente, Centro Hospitalar de Vila Nova 

de Gaia/Espinho

Introdução: O acidente vascular cerebral (AVC), continua a ser 

uma importante causa de morbimortalidade em Portugal. O 

diagnóstico precoce e uma rápida identificação etiológica são 

fundamentais para um tratamento atempado, de forma a tentar 

minimizar possíveis sequelas neurológicas. 

Caso Clínico: Homem de 63 anos, fumador, com lesão pul-

monar cavitada em estudo. Admitido no serviço de Imagiolo-

gia para realização de biópsia aspirativa transtorácica (BAT), 

a qual decorreu sem intercorrências. No recobro e de forma 

súbita teve uma paragem cardiorrespiratória. Iniciado suporte 

avançado de vida, com recuperação de pulso ao fim do pri-

meiro ciclo. Transportado para a sala de emergência onde dá 

entrada sob ventilação mecânica invasiva (VMI), hemodinâmica 

e eletricamente estável. Neurologicamente apresentava desvio 

conjugado do olhar para a direita, resposta motora em exten-

são bilateral, paratonia dos membros inferiores, reflexos cutâ-

neo-plantares indiferentes. Da investigação etiológica efetuada 

concluiu tratar-se de uma embolia gasosa (EG) no território da 

artéria cerebral média direita, num doente com foramen ovale 

patente (FOP) nunca identificado. Transferido para a Unidade 

de Medicina Hiperbárica para tratamento. Necessidade de VMI 

e internamento em cuidados intensivos durante 24horas. À 

data de alta colaborante e orientado, com hemiparesia esquer-

da com face, força muscular grau 4+.

Discussão: A EG é um evento incomum, mas potencialmen-

te  catastrófico.  As  causas  mais  comuns  são  as  cirurgias,  o 

trauma, os procedimentos vasculares, o barotrauma (VMI) e 

as BAT. Os fumadores e os doentes com doença pulmonar 

obstrutiva crónica ou enfisema são os grupos com maior risco. 

O FOP é uma anomalia congénita com elevada prevalência na 

população geral (25%) estando demonstrada a sua associação 

com o AVC criptogénico. A EG deve ser suspeitada em doen-

tes com factores de risco que iniciam subitamente clínica de 

descompensação cardiorrespiratória e/ou neurológica.

Conclusões: Neste doente a correta investigação diagnóstica 

e o tratamento atempado foi fundamental para a minimização 

dos défices neurológicos.






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