Revista da sociedade portuguesa de medicina interna


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SILENCIOSO ATÉ AOS 90

Elisabete Coelho, Ana Rita Matos, Sofia Caridade



Serviço de Medicina Interna, Hospital de Braga

Introdução: A presença de enfartes corticais e subcorticais em 

vários territórios arteriais cerebrais é sugestiva de uma etiologia 

embólica. Cerca de um quarto dos adultos têm foramen ovale 

patente (FOP). Na maioria dos casos, este achado é assinto-

mático. No entanto, o acidente vascular cerebral (AVC) é uma 

das possíveis manifestações clínicas do FOP, sendo a emboli-



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18º CONGRESSO DO NÚCLEO DE ESTUDOS DA DOENÇA VASCULAR CEREBRAL 

zação paradoxal um mecanismo a considerar.

Caso Clínico: Apresenta-se o caso de uma mulher de 90 anos, 

previamente autónoma, com antecedentes de hipertensão ar-

terial, dislipidemia e rim único. Recorreu ao serviço de urgência 

com um quadro de prostração, com uma semana de evolução. 

Ao exame físico foi objetivada uma tetraparésia. O estudo ima-

giológico cerebral revelou múltiplas lesões isquémicas recentes 

corticais e subcorticais nos hemisférios cerebrais e cerebelosos 

bilateralmente. O eletrocardiograma mostrou um ritmo sinusal. 

No  ecocardiograma  foi  identificado  FOP,  com  presença  de 

shunt espontâneo direito-esquerdo. O ecodoppler dos mem-

bros inferiores mostrou sinais de trombose venosa profunda 

recente e oclusiva nos eixos soleares bilaterais.

Discussão: A topografia das lesões cerebrais é sugestiva de 

uma fonte embólica. Durante a investigação nunca foi objecti-

vada qualquer arritmia, foi excluída a possibilidade de endocar-

dite infecciosa e não houve evidência de aterosclerose do arco 

aórtico. Há um aumento da prevalência do FOP nos doentes 

com AVC criptogénico, no entanto a sua presença, por si só, 

não está associada a um aumento do risco de AVC. A identifi-

cação de trombose do território venoso profundo, bem como 

a presença de shunt direito-esquerdo espontâneo, suportam 

o diagnóstico de embolia paradoxal através do foramen ovale.

Conclusões: A embolização paradoxal via foramen ovale é um 

diagnóstico a considerar, e tem implicações terapêuticas, nos 

doentes com AVC criptogénico. Contudo, este é um diagnós-

tico de exclusão, sendo mandatório investigar outras possiveis 

fontes embólicas.






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