Revista da sociedade portuguesa de medicina interna


P45 EMBOLIA PARADOXAL CEREBRAL E TROMBOFILIA



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EMBOLIA PARADOXAL CEREBRAL E TROMBOFILIA 

EM DOENTE COM MÚLTIPLOS FATORES DE RISCO 

CARDIOVASCULARES

Rosana Maia, Cátia Barreiros, Duarte Silva, Irene Miranda, Edgar Torre, 

Carmélia Rodrigues, Diana Guerra

Serviço de Medicina Interna 1, Hospital de Santa Luzia, ULSAM, 

Viana do Castelo

Introdução:  A prevalência de foramen oval patente (FOP) é 

de cerca de 25% na população geral e constitui um fator de 

risco para acidente vascular cerebral (AVC) isquémico através 

da embolia paradoxal. Apesar deste mecanismo ser aceite, o 

diagnóstico é presumível e o estabelecimento de uma relação 

causal entre os dois diagnósticos continua a ser um desafio.

Caso Clínico: Homem, 48 anos, hipertenso, obeso, com hábi-

tos tabágicos e etílicos nocivos, recorre ao serviço de urgência 

por diminuição da força muscular e parestesias ocasionais nos 

membros esquerdos, dificuldade na coordenação e desequi-

líbrio. Exame neurológico: monoparesia do membro superior 

esquerdo (MSE) grau 4/5, hipostesia do membro inferior es-

querdo (MIE), marcha tandem com descoordenação esquerda. 

TC cerebral, coluna cervical e lombar sem alterações. RMN ce-

rebral: lesão aguda/subaguda cortico subcortical frontoparietal 

paramediana direita, e lesão não recente subcortical insular es-

querda. Admitido na Unidade de AVC por AVC em território da 

artéria cerebral anterior direita. Na admissão: plegia do MSE, 

MIE grau 2/5 e disestesia do hemicorpo homolateral. Do estu-

do etiológico, de realçar colesterol LDL 156 mg/dL e presença 

de mutação heterozigótica do gene protrombina (PT). Restante 

estudo protrombótico e imunológico sem alterações. Teleme-

tria: ritmo sinusal. Ecodoppler carotídeo sem alterações. Eco-

cardiograma (Eco) transtorácico: dilatação ligeira da aurícula 

esquerda. Eco transesofágico: presença de FOP. Alta médica 

com anti-hipertensores, estatina e hipocoagulação oral. Reava-

liado em consulta externa (CE): hemiparesia sequelar grau 4/5 

no MSE e 3/5 no MIE.

Discussão e Conclusões: Apesar dos múltiplos fatores de 

risco cardiovasculares, a clínica e achados da RMN cerebral 

eram sugestivos de etiologia cardio-embólica. O estudo inicial 

foi inconclusivo, mas dada a hipótese colocada, efetuou eco 

transesofágico que revelou FOP. A investigação analítica alar-

gada mostrou ainda mutação do gene da PT. Estes diagnós-

ticos implicaram alteração terapêutica e prognóstica. O FOP 

constitui um fator de risco para AVC e esta hipótese etiológica 

deve ser colocada quando há suspeita de cardioembolismo. 

O risco associado à recorrência de AVC é variável, mas pode 

ser significativo ao longo da vida, sobretudo se coexistirem ou-

tros fatores protrombóticos. De salientar que o FOP continua a 

ser uma das causas dos AVC erradamente classificados como 

criptogénicos.




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