Revista da sociedade portuguesa de medicina interna


P43 TROMBOEMBOLISMO PULMONAR, EMBOLIA



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TROMBOEMBOLISMO PULMONAR, EMBOLIA 

PARADOXAL E FORAMEN OVAL PATENTE 

– A PROPÓSITO DE UM CASO CLÍNICO

Filipa Rocha, Bernardo Baptista, Bebiana Gonçalves, Sérgio Baptista



Serviço de Medicina Interna, Hospital da Luz, Lisboa 

Introdução:  O foramen oval patente (FOP) é o defeito car-

díaco mais frequentemente associado a embolia paradoxal. 

Em casos de acidente vascular cerebral (AVC) criptogénico ou 

tromboembolismo pulmonar (TEP) a sua frequência é superior 

à da população geral. Nos doentes com TEP está associado 

a maior taxa de complicações e estudos sugerem haver uma 

correlação entre a prevalência de FOP e a gravidade do TEP.

Caso Clínico: Sexo feminino, 76 anos, história de hiperten-

são arterial, diabetes mellitus tipo 2, doença pulmonar obs-

trutiva crónica sob oxigenioterapia de longa duração, hiper-

tensão pulmonar (HTP) com cor pulmonale crónico, anemia 

refractária com trombocitose sob epoietina e filgastrim, TEP 

não provocado em Outubro de 2016 e AVC isquémico mul-

tifocal de presumida etiologia cardioembólica em Dezembro 

de 2016, sob apixabano 5mg bid. Apresenta-se com quadro 

de prostração e história de queda acidental com interrupção 

autónoma da hipocoagulação uma semana antes do interna-

mento. Objetivou-se insuficiência respiratória parcial crónica 

agudizada e monoparésia braquial proximal direita. A resso-

nância magnética crânio-encefálica revelou múltiplas lesões 

isquémicas agudas supra e infratentoriais. O ecocardiograma 

transtorácico mostrou dilatação das cavidades direitas, sinal 

do “D” e HTP grave. 

O diagnóstico de TEP bilateral, de risco intermédio-alto, foi 

feito por angio-tomografia computorizada. O exame de Holter 

24 horas não documentou fibrilhação auricular. Por suspeita 

de embolia paradoxal realizou ecocardiograma transesofági-

co (ETE) que mostrou FOP espontâneo tunelizado com shunt 

direito-esquerdo. Durante o internamento suspenderam-se 

os fatores de crescimento, manteve-se hipocoagulação com 

heparina de baixo peso molecular e decidiu-se, em conjunto 

com a Cardiologia, não encerrar o FOP, dado o risco de agra-

vamento do cor pulmonale.

Discussão: O aumento da resistência vascular pulmonar as-

sociada ao TEP aumenta o risco de embolização paradoxal 

na presença de FOP, mas a relação de causalidade com AVC 

permanece presuntiva. O ETE é o exame complementar de 

diagnóstico com maior sensibilidade. A evidência sugere be-

nefício no encerramento do FOP na prevenção secundária de 

AVC em grupos selecionados. Não existem recomendações 

consensuais e a literatura em casos de TEP concomitante é 

ainda mais escassa.

Conclusões: A embolia paradoxal com trombose venosa 

concomitante é uma situação de risco com necessidade de 

abordagem multidisciplinar e decisão individualizada.






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