Revista Brasileira de Inteligência e-issn 2595-4717



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Ferramentas de análise
O processo de produção do conhecimento 
estabelece que as informações disponíveis 
sejam submetidas a métodos analíticos. 
Para auxiliar o analista nessa tarefa, 
existem diferentes recursos.
The key to becoming a credible and valued 
analyst is your skill in working through 
the analysis process, bringing to bear all 
available tools and methods, including 
the proper conceptual framework. (…) Put 
simply, conceptual frameworks provide 
organizing devices for research. It is 
diffi cult to imagine how intelligence could 
be created without them (CLARK, 2020, 
n.p.).
Existem muitos modelos conceituais 
e técnicas estruturadas usadas 
tradicionalmente por profissionais de 
Inteligência. Para Heuer e Pherson 
(2015), “Structured analysis helps analysts 
ensure that their analytic framework — 
the foundation upon which they form their 
analytic judgments — is as solid as possible”. 
A escolha das técnicas ou ferramentas mais 
adequadas para cada situação depende 
de uma série de fatores, tais como o tipo 
de problema a ser respondido, os erros 
de análise mais comuns e que mais se 
quer evitar ao realizar a tarefa específi ca, 
o tempo disponível para a entrega do 
produto, o próprio conhecimento prévio 
das técnicas pelo analista, entre outros 
(HEUER e PHERSON, 2015). Da mesma 
forma, no campo da análise de confl itos, 
a escolha dos métodos analíticos a serem 
empregados em uma situação específi ca 
dependerá das necessidades e objetivos 
(LEVINGER, 2013). A determinação 
do nível do processo decisório — se 
estratégico, tático ou operacional — no 
qual a autoridade está inserida também 
é fundamental.
No nível estratégico, a Inteligência 
produzida em operações de paz da ONU, 
por exemplo, se ocupa de questões tais 
como a “(...) identifi cação e compreensão da 
situação política, militar e socioeconômica 
da região, incluindo as forças e as causas 
do confl ito; o conhecimento geográfi co 
da área e da infraestrutura; e os 
objetivos da comunidade internacional” 
(XAVIER, 2011, grifo nosso, p.154). Um 
dos principais objetivos da análise de 
situações confl ituosas em nível estratégico 
é a identificação de vulnerabilidades 
socioeconômicas e institucionais que 
aumentam os riscos de um confl ito latente 
se tornar violento. Para isso, o conceito 
da Curva de Confl ito de Lund (1996) pode 
ser aplicado em conjunto com outras 
ferramentas que orientam a identifi cação 
das causas do confl ito e dos fatores que 
influenciam os níveis de tensão entre 


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Revista Brasileira de Inteligência. Brasília: Abin, nº. 16, dez. 2021
Análise de confl itos aplicada à produção de conhecimentos de Inteligência: um estudo exploratório
as partes (LEVINGER, 2013). Trata-se de 
modelo conceitual que ilustra como um 
confl ito pode ser violento e não violento 
e como, ao longo do tempo, o uso de 
força em um confl ito tende a aumentar e 
diminuir (fi gura 1).
Figura 1: Curva de Confl ito – imagem em: USAID, 2012, p.12.
A curva de Lund (1996) é um modelo 
idealizado, uma vez que os confl itos, na 
realidade, não são fenômenos lineares. 
Seu intuito é demonstrar que confl itos 
ocorrem em continuum ao longo do tempo 
e que os momentos de luta e confronto 
violento entre as partes são períodos de 
pico, os quais não representam todo o 
ciclo de confl ito (USAID, 2012).
Grande parte dos modelos desenvolvidos 
por diferentes organizações que se valem 
da análise de confl itos busca, inicialmente, 
traçar um quadro de diagnóstico do 
contexto conflituoso, decompondo a 
questão para melhor entendimento 
dos analistas, conforme destaca Heuer 
(1999) em sua obra sobre a psicologia da 
intelligence analysis.
There are two basic tools for dealing with 
complexity in analysis – decomposition 
and externalization. Decomposition 
means breaking a problem down into 
its component parts. That is, indeed, the 
essence of analysis. (…) Externalization 
means getting the decomposed problem 
out of one’s head and down on paper or on 
a computer screen in some simplifi ed form 
that shows the main variables, parameters, 
or elements of the problem and how they 
relate to each other (HEUER, 1999, p. 86).
Para identifi car os fatores que compõem 
um confl ito específi co, Harris e Reilly (1998) 
propõem um marco analítico a partir de 
respostas a uma série de perguntas sobre: 
atores (internos e externos); problemas 
relacionados ao confl ito (distribuição de 
recursos econômicos, políticos, sociais; 
discriminação na distribuição de recursos
etc.); fatores subjacentes (necessidades 
e medos das partes); escopo (extensão 


Revista Brasileira de Inteligência. Brasília: Abin, nº. 16, dez. 2021
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Thiago Nogueira Silveira
do conflito); tentativas anteriores 
de resolução; fases e intensidade; 
equilíbrio de poder (entre as partes); 
capacidades e recursos de cada parte; e 
estado do relacionamento (natureza das 
relações entre os adversários, canais de 
comunicação, etc.). Os autores sugerem, 
ainda, o entendimento dos conflitos a 
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