Revista Brasileira de Inteligência e-issn 2595-4717


parte da Inteligência, o que ampliaria



Baixar 2.33 Mb.
Pdf preview
Página65/83
Encontro02.08.2022
Tamanho2.33 Mb.
#24436
1   ...   61   62   63   64   65   66   67   68   ...   83
RBI16verso23062022

parte da Inteligência, o que ampliaria 
as possibilidades de colaboração e de 
recrutamento.
Em resposta à questão seis, sobre 
diferenças de fi nalidades e resultados, 
66,67% dos entrevistados assinalaram 
“características das relações com 
governos estrangeiros”; 59,26%, 
“interesses e objetivos organizacionais”; 
51,85%, “papel em relação aos processos 
decisórios relativos à projeção externa 
do Brasil”; 48,15%, “foco temático”; 
33,33%, “reconhecimento e imagem 
junto à sociedade”; e 18,52%, “nível de 
sensibilidade à política”. Os entrevistados 
destacaram que a atividade diplomática 
teria como foco as relações bilaterais com 
o país anfi trião, seus impactos imediatos 
para o Brasil, bem como o assessoramento 
à estrutura do MRE acerca de temas da 
realidade local do posto, enquanto a 
Inteligência Externa, em regra, teria 
enfoque mais amplo, tanto no que se 
refere aos atores e impactos quanto ao 
escopo geográfi co de acompanhamento.
Em relação ao reconhecimento e à imagem 
junto à sociedade, foi frequente a menção 
à invisibilidade da Inteligência para a 
população do Estado acreditado, além da 
brasileira, sendo o corpo diplomático e 
consular o ator conhecido e referenciado 
pelas mídias e interlocutores sociais. 
Entretanto, também se ponderou que, 
apesar de ser mais reconhecida junto 
à sociedade, a atuação da diplomacia 
encontra-se frequentemente engessada 
por seu papel ofi cial.
Quanto à sensibilidade a questões políticas, 
a relação da Inteligência com instâncias do 
governo local é percebida como menos 
suscetível às oscilações políticas dos países 
acreditante e acreditado e menos instável, 
portanto, o que garantiria a continuidade 
de contatos e intercâmbio.
No que se refere às características das 
relações entre a Inteligência de Estado e 
a diplomacia, abordadas na questão sete, 
96,3% dos entrevistados assinalaram a 
opção “complementariedade”; 77,78%, 
“apoio analítico e assessoramento”; 
55,56%, “caráter confi rmatório”; 25,93%, 
“sobreposição”; 22,22%, “baixo nível 
de interface e interação”; e 7,41%, 
“competição”. A maior parte dos 
entrevistados afirmou que, apesar 
de identificarem algum nível de 
sobreposição — o que se associa a 
aspectos mencionados nas respostas 
anteriores, como desconhecimento 
sobre os potenciais da cooperação e 
defi ciências de planejamento integrado 
e de diretrizes institucionais —, suas 
experiências profissionais mostraram 
que as duas atividades são “altamente 
complementares”.
Nesse aspecto, foram mencionadas 
diferenças entre as perspectivas da 
Inteligência e da diplomacia acerca 
da natureza das relações bilaterais, 
sendo que, para esta última, haveria 
maior percepção de sobreposição de 
competências. Para esta autora, tal 
diferença possivelmente se relaciona 
à questão de protagonismo temático 
mencionada na revisão bibliográfi ca: em 
assuntos relacionados à segurança e a 
confl itos, a receptividade à cooperação 
com a Inteligência seria maior, ao passo 
que, em agendas político-econômicas, 


Revista Brasileira de Inteligência. Brasília: Abin, nº. 16, dez. 2021
119
Inteligência externa e diplomacia: interfaces e relações no contexto brasileiro
a tradicional autoridade temática da 
diplomacia representaria desincentivo 
recíproco à cooperação.
Ademais, os entrevistados identifi caram 
que o nível de fl uidez das interações entre 
as duas atividades seria dependente 
dos agentes que as executam, o que 
revelaria baixo nível de institucionalização 
das relações. Em razão das maiores 
estabilidade e consolidação histórica da 
atividade diplomática, as respostas indicam 
que o aumento da institucionalização 
da cooperação dependeria mais de 
gestões da Inteligência nesse sentido 
do que de esforços da diplomacia. 
No entanto, a existência de entraves 
normativos e de cultura organizacional 
favorecedora da compartimentação de 
documentos e do sigilo no âmbito da 
Inteligência representaria obstáculo ao 
estabelecimento de vínculos estruturais 
e contínuos de apoio analítico e 
assessoramento.

Baixar 2.33 Mb.

Compartilhe com seus amigos:
1   ...   61   62   63   64   65   66   67   68   ...   83




©historiapt.info 2022
enviar mensagem

    Página principal