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participativa proposto pela SESGE, que 


Revista Brasileira de Inteligência. Brasília: Abin, nº. 16, dez. 2021
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Perspectivas e desafi os para o trabalho integrado em centros de Inteligência
incentiva “a participação e envolve os 
colaboradores na tomada de decisão 
e no processo de administrar” e torna 
as agências corresponsáveis pelos 
resultados do trabalho (VASCONCELOS, 
2018). Entendemos que o modelo foi 
exitoso em viabilizar a integração que se 
pretendia, ao mesmo tempo que nos ajuda 
a compreender os modos de atuação que 
se verifi cam hoje nos centros.
Análise de perspectivas e 
de desafios pós-grandes 
eventos
Vencida a sequência dos grandes 
eventos, restam-nos refl exões acerca da 
manutenção da efetividade dos centros de 
integração. Pode-se dizer que os esforços 
por integração resultaram da fi xação da 
meta de garantir a realização dos Jogos em 
segurança e que a solução para se alcançar 
esse objetivo derivou de um processo 
isomórfi co inspirado na experiência norte-
americana dos Fusion Centers. Da mesma 
forma, essas estruturas, que se originam 
de um processo de mimetização do 
sistema de defesa de um ataque nuclear 
nos EUA, foram moldadas em função do 
combate ao terrorismo e serviram de 
inspiração para os nossos SICC e CICCs, 
em processo identifi cado como também 
isomórfico (VASCONCELOS, 2018). A 
evolução das iniciativas de integração, no 
contexto da preparação para os Grandes 
Eventos guarda, portanto, profunda 
relação conceitual com o combate ao 
terrorismo. 
10 O item 6 do Dec. 8793/16 defi ne como principais ameaças, por ordem de referência: espionagem; sabotagem; 
interferência externa; ações contrárias à soberania nacional; ataques cibernéticos; terrorismo; atividades ilegais 
envolvendo bens de uso dual e tecnologias sensíveis; armas de destruição em massa; criminalidade organizada; 
corrupção e ações contrárias ao Estado Democrático de Direito.
Com o fim das olimpíadas do Rio, a 
percepção da ameaça terrorista cede 
espaço aos assuntos de segurança pública. 
O desafi o imposto para que se mantenha a 
efetividade do legado dos grandes eventos 
reside, justamente, em se remodelar uma 
estrutura concebida para antecipação de 
sérios revezes para eventos específi cos, 
com especial atenção ao terrorismo, para 
as condições cotidianas e perenes, em que 
há preponderância de temas relacionados 
à segurança pública. Há que se considerar, 
também, a aplicação da Inteligência de 
Estado para os casos em que as ameaças 
previstas na PNI
10
se fi zerem presentes. 
Uma contribuição para a resposta a esse 
desafi o pode advir da compreensão dos 
caminhos que a integração em centros 
vem tomando desde o fim do ciclo 
de grandes eventos. À medida que se 
venciam os desafi os de cada evento, a 
experiência dos centros de integração 
seguia se consolidando. A expertise em 
trabalho integrado que ia sendo adquirida 
passou a ser aplicada em um amplo 
espectro de situações decorrentes da 
complexa dinâmica doméstica do Brasil. 
Situações como crises ambientais e de 
segurança pública, manutenção da ordem 
em processos eleitorais e garantia da 
segurança em manifestações democráticas 
são exemplos de situações em que se 
aplicou parte das soluções em integração 
desenvolvidas para os grandes eventos. 
Todas essas experiências, no entanto, 
emulavam as rotinas do trabalho conjunto 
para os grandes eventos e em pouco se 


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Revista Brasileira de Inteligência. Brasília: Abin, nº. 16, dez. 2021
Gustavo Ferreira
moldavam às características do ambiente 
e da missão de momento. Em outras 
palavras, a experiência de centros de 
integração vem sendo replicada ao longo 
dos anos após os grandes eventos ainda 
sob o mesmo paradigma de segurança 
daquele ciclo. 
Pode-se dizer que as práticas de comando 
e controle para prevenção de ameaças a 
eventos subsiste nos centros de integração 
em inteligência de hoje e também se 
fi zeram presentes em diversas iniciativas 
paralelas aos jogos ou anteriores a eles. 
Referimo-nos aos centros de Inteligência 
montados fora da esfera do MJ, sob a 
influência do Sisbin. Como exemplo, 
destacamos os centros de inteligência 
já montados para a Operação Ágata, 
organizada pelo Ministério da Defesa, de 
natureza ostensiva. 
Entendamos essas estruturas montadas 
fora da órbita da SESGE como ambientes 
de trabalho fortemente inspirados na 
experiência dos CICC e não como sua 
continuidade institucional. A rigor, a 
normatização para os grandes eventos 
perdeu efi cácia ao fi m dos jogos olímpicos 
de 2016 e não se encontrou substitutivo 
legal que preconize a manutenção dos 
CICC tampouco que regule a formação de 
estruturas assemelhadas. 
Os esforços da SESGE em viabilizar um 
trabalho integrado concentravam-se em 
garantir governança e coordenação entre 
as instituições (VASCONCELOS, 2018). 
Dentro dos CICC, uma vez compartilhadas 
as informações, as agências envolvidas 
responsabilizavam-se pelos assuntos 
na estrita medida de suas missões 
institucionais e agiam seguindo protocolos, 
evitando sobreposição de funções. 
Tal dinâmica tende a direcionar a 
performance dos centros de integração 
muito mais para o que entendemos como 
um “adestramento responsivo” do que para 
um processamento planejado. De fato, os 
protocolos elaborados permitem, para 
situações que demandem engajamento, o 
conhecimento exato das partes envolvidas 
sobre o que fazer, como fazer e quando 
fazer, a partir de um estímulo externo. 
Assim, todos os presentes ao centro 
funcionam em sincronia, e também 
em cooperação, mediante informações 
previamente compartilhadas. Na prática, 
essa tendência evidencia o que se entende 
como “lógica de plantão”, em que as 
instituições coexistem e cooperam em um 
mesmo ambiente, monitorando ameaças 
e estabelecendo ações vinculadas a 
necessidades decorrentes das informações 
ora aportadas.
Por agirem de forma autônoma, as 
agências aportam ao centro informações 
por ela obtidas ou produzidas, mediante 
livre conveniência. Neste ponto
localizamos limitadores a uma integração 
para além da acepção de coordenação que 
vem se reproduzindo até a atualidade. É 
consenso que falhas na integração se 
colocam como obstáculo atávico para 
se alcançar eficiência na segurança 
pública. Em acordão proferido em razão 
da efetividade de ações de segurança 
e de defesa para a faixa de fronteira, o 
Tribunal de Contas da União aponta que 
os órgãos de segurança pública “não 
conseguem trabalhar adequadamente 
de forma integrada” (TCU, 2015). Logo, 


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Perspectivas e desafi os para o trabalho integrado em centros de Inteligência
as práticas atuais em pouco contribuem 
para exercício pleno de integração que 
tem, em perspectiva, compartilhamento de 
métodos, sistemas e estrutura (WORMET, 
2012). 
A insuficiência da integração também 
dificulta o funcionamento dos centros 
como organismos autônomos e 
detentores do ciclo completo de 
produção de inteligência. Retomemos o 
termo “processamento planejado" como 
aspecto do desenvolvimento da atividade 
de Inteligência (AI), nos níveis estratégico, 
tático e operacional. Araújo desdobrou 
o atributo “ações especializadas”, 
da definição de AI prevista na PNI
11

conferindo-lhe os elementos método 
(processos especializados), produto 
(foco na produção de conhecimento) 
e objeto (identificação de ameaças e 
oportunidades), e cliente (atendimento 
ao interesse de um usuário — autoridade 
decisória (ARAÚJO, 2019). A esse 
desdobramento, e seguindo a perspectiva 
de Wormet (2012), adicionamos os 
elementos gestão (tanto de ações quanto 
de conhecimento), estrutura (instalações e 
equipamentos) e sistemas da informação 
(banco de dados e ferramentas de TI). 
Dessa forma, uma vez detendo meios 
para exercer a AI por meio de ações 
especializadas, abre-se aos centros de 
integração a possiblidade de planejar a 
11 2.4 Atividade especializada - A Inteligência é uma atividade especializada e tem o seu exercício alicerçado em 
um conjunto sólido de valores profi ssionais e em uma doutrina comum.
A atividade de Inteligência exige o emprego de meios sigilosos, como forma de preservar sua ação, seus métodos 
e processos, seus profi ssionais e suas fontes. Desenvolve ações de caráter sigiloso destinadas à obtenção de 
dados indispensáveis ao processo decisório, indisponíveis para coleta ordinária em razão do acesso negado 
por seus detentores. Nesses casos, a atividade de Inteligência executa operações de Inteligência — realizadas 
sob estrito amparo legal —, que buscam, por meio do emprego de técnicas especializadas, a obtenção do dado 
negado.
produção de conhecimentos sobre casos 
específi cos de inteligência. 
Outro aspecto da autonomia dos órgãos 
em centros de integração impacta a 
mão de obra empregada e a decorrente 
formação das equipes. O relatório de 
2015 do TCU destaca a estrutura de 
pessoal como uma carência dos órgãos 
de segurança pública, sendo, também, 
um problema vivenciado em todo o 
serviço público federal. Em decorrência 
dessa falta de pessoal, é compreensível 
que os corpos gerenciais das instituições 
relutem em ceder seus servidores mais 
qualifi cados para missões interagências, 
uma vez que seus afazeres profi ssionais 
cotidianos tendem a ser compreendidos 
como prioridade. Por vezes, diante de 
compromissos já firmados, os órgãos 
veem-se em situação inarredável de liberar 
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