Revista Brasileira de Inteligência e-issn 2595-4717



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Conceito de legado
Cardoso (2013) identifi ca o conceito de 
legado a partir da análise dos discursos 
sobre grandes eventos. Para o autor, trata-
se do que “fi ca”. O verbete para a palavra 
legado está estabelecido no dicionário 
Michaelis, no seu sentido fi gurado, como 
“Aquilo que passa de uma geração a outra, 
que se transmite à posteridade”.
Podemos pensar o legado tanto 
como permanência (o que fica) 
— se considerarmos benfeitorias 
proporcionadas para a ocasião e que ainda 
terão utilidade para a população após o 
evento — quanto costumes adquiridos 
e boas práticas que podem se protrair 
no tempo, se exercitadas. No que se 
refere à segurança pública, é possível 
dizer que o legado dos grandes eventos 
comporta ambas as ideias: permanência 
e posteridade. A permanência refere-se à 
estrutura do SICC e aos CICC. Quanto ao 
que se passa adiante, fazemos alusão a 
boas práticas no trabalho integrado entre 
as agências de segurança e defesa.
Vasconcelos (2018) localiza a categorização 
de Dexheimer para o legado dos grandes 
eventos para a segurança pública. Para 
esse autor, o legado é tangível (aquisição de 
bens materiais), intangível (conhecimentos 
adquiridos), de abrangência nacional e 
de impacto físico ambiental (estruturas 
físicas, como os centros de Comando e 
controle), político administrativo (aquisição 
de habilidades de planejamento e gestão) 
e sócio cultural (contribuição para o 
combate à criminalidade).
Considerando que o legado também faz 
parte do discurso de convencimento, por 
parte dos operadores e negociadores 
para viabilizar a sua realização, é natural 
concluirmos que o legado surge antes 
mesmo que os eventos se iniciem. 
No campo da segurança, tal jogo 
argumentativo girava, justamente, em 
torno da ideia de integração, já desde os 
normativos para a Copa do Mundo de 
2014 (CARDOSO, 2013). 
A integração almejada é identifi cada por 
Vasconcelos como coordenação, uma 
vez que a autora não reconhece, nos 
inúmeros atos administrativos e discursos 
de autoridades qualquer intenção de 
se formar de um organismo único. Ao 
contrário, os movimentos em favor da 
integração ressaltam a necessidade de 
cooperação, respeitando-se a autonomia 
entre as agências envolvidas. Um 
elemento que concorreu para a adesão 
das agências foi o modelo de gestão 
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