Revista Brasileira de Inteligência e-issn 2595-4717



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Conflitos
Conflitos são inerentes à experiência 
humana. Segundo Levinger (2013), 
eles ocorrem sempre que dois ou 
mais indivíduos ou grupos percebem 
seus interesses como mutualmente 
incompatíveis e agem com base nessa 
percepção. Outras defi nições de confl ito 
também destacam o caráter hostil das 
atitudes que pelo menos uma das partes 
toma em relação à outra, sobretudo 
quando se age para prejudicar a 
capacidade do outro de perseguir seus 
interesses (FEWER, INTERNATIONAL ALERT 
e SAFERWORLD, 2004). Muitas vezes os 
entes em confl ito são interdependentes, 
mas possuem interesses e necessidades 


Revista Brasileira de Inteligência. Brasília: Abin, nº. 16, dez. 2021
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Thiago Nogueira Silveira
opostos. Além disso, cada parte sente-
se convencida de que está certa em suas 
próprias crenças e ações (GTZ, 2001).
Embora o termo traga em si um juízo 
negativo, geralmente associado à violência, 
conflitos também são definidos como 
fenômenos naturais e multidimensionais
indicativos de mudanças em uma 
sociedade (FEWER, INTERNATIONAL ALERT 
e SAFERWORLD, 2004). Quando não são 
violentos, eles podem representar forças 
poderosas que impulsionam inovações, 
incentivam parcerias e induzem esforços 
para a redução de injustiças (USAID, 2012). 
Nesse sentido, a própria ideia de progresso 
também é associada a mudanças, as quais 
geram confl itos, em alguma medida.
Conflicts are not necessarily inherently 
bad. Conflicts are an inevitable part 
of living in society, and a result of the 
diff erences and tensions between people 
and between groups. A certain degree of 
conflict is essential for progress because 
progress requires change, and change 
generates conflict. For Alert, it is large-
scale violent conflict, rather than conflict 
itself that we see as a problem. Though 
we recognise that there are times when 
fighting is justified, this is a last resort 
best avoided. The challenge is to channel 
conflicts in peaceful ways to constructive 
ends, and manage differences without 
violence (INTERNATIONAL ALERT, 2010, 
p. 5).
Os conflitos se tornam violentos 
quando as partes não procuram mais 
atingir seus objetivos pacificamente, 
recorrendo à violência de uma forma ou 
de outra (FEWER, INTERNATIONAL ALERT 
e SAFERWORLD, 2004). Com efeito, são os 
confl itos violentos os principais objetos 
de interesse da análise de conflitos. 
Entretanto, também são foco de atenção 
os contextos em que existem tensões e, 
consequentemente, potencial de violência 
entre grupos, e não apenas aqueles em 
que a violência já ocorre ou ocorreu (GTZ, 
2001). Nesses casos, observam-se os 
fatores que contribuem para a escalada 
ou o arrefecimento dos níveis de tensão.
Violent confl icts are thus not inevitable, 
nor do they happen overnight; conflict 
is a dynamic process, which may take 
diff ering forms and run through various 
stages of escalation and de-escalation, 
resulting from the complex combination 
and overlap of the various causes of 
confl ict (FEWER, INTERNATIONAL ALERT 
e SAFERWORLD, 2004, p.1).
Tendo como referência a disposição 
consciente das partes ao uso de violência, a 
análise de confl itos considera um espectro 
amplo de intensidade de tensões, que 
podem aumentar ou diminuir ao longo 
do tempo. Quando as tensões ainda não 
evoluíram para o uso aberto de violência, 
ou seja, para um confronto violento, 
mas existe disposição entre as partes e 
capacidade para isso, considera-se esse 
estágio como um confl ito latente.
Latent conflict is used to describe 
situations of tensions, which may escalate 
into violence. One form of latent confl ict 
is structural violence, defi ned by Galtung 
to describe situations where unequal, 
unjust and unrepresentative structures 
prevent humans from realising their full 
potential, thus extending the defi nition 
of violence beyond direct physical harm 
to the organization of society (FEWER, 
INTERNATIONAL ALERT e SAFERWORLD, 
2004).
Observa-se, portanto, que confl itos podem 
ser violentos ou não violentos e que, ao 
se identifi car sinais de que um confl ito 
latente está escalando, ainda haveria 


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Análise de confl itos aplicada à produção de conhecimentos de Inteligência: um estudo exploratório
espaço para ações que possam contribuir 
para um arrefecimento das tensões. Um 
dos princípios fundamentais da análise de 
confl itos é o de que, ainda que algumas 
disputas entre grupos sejam inevitáveis, 
é possível administrá-las pacifi camente, 
o que é sempre preferível ao uso de 
violência (WOOCHER, 2011).

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