Revista Brasileira de Inteligência e-issn 2595-4717


partir da percepção, que se cristalizou na



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RBI16verso23062022

partir da percepção, que se cristalizou na 
opinião pública brasileira, segundo a qual 
cada esfera atende a diferentes objetivos, 
e que o crescimento do agronegócio 
e a proteção ambiental são dinâmicas 
inconciliáveis, o que representa uma 
falácia (VENDRAMINI, 2020). Por certo, 
colossais interesses, que começam no 
plano geopolítico internacional, descem 
às cadeias de poder político nacional e 
chegam até as esferas locais de infl uência 
nos estados e municípios, manipulam 
e simplificam o senso comum sobre a 
dialética agro-ambiente. A mudança de 
paradigma em favor da aproximação dos 
dois setores, considerados erroneamente 
arquirrivais, enfrenta incríveis obstáculos 
políticos, econômicos e culturais. Contudo, 
empreender este enorme esforço público-
privado na direção de uma mudança de 
percepção e atitude, justifi ca-se diante 
do resultado inevitável de se persistir no 
defasado modelo dicotômico de gestão 
agroambiental, isto é, a eclosão de um 
colapso ecossistêmico já nas próximas 
décadas.
No atual compasso de remoção do dossel 
fl orestal, a ampliação e o aprofundamento 
do conceito de agroambientalismo talvez 
seja a melhor estratégia para estancar 
a degradação ambiental no Brasil, mas 
isso exigirá integrar tecnologias e elevar 
o nível de coordenação intersetorial 
que hoje ainda é incipiente (MENEZES 
et alii, 2020). A obstruir essa trajetória 
conciliatória está a prevalência ilusória 
da existência de uma contradição de 
objetivos quando se trata da dinâmica de 
proteger, pesquisar, produzir. O produtor 
rural decide ao utilizar elementos voltados 
à priorização de resultados econômicos, 
e a desconsideração das Condicionantes 
Ambientais interfere, direta ou 
indiretamente, nos resultados da atividade 
agropecuária, pois representa uma 
estratégia defasada e sujeita o produtor
de forma cumulativa, a diferentes tipos 
de sanção, além de gerar uma indesejável 
mácula em sua imagem empresarial 


Revista Brasileira de Inteligência. Brasília: Abin, nº. 16, dez. 2021
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Daniel Almeida de Macedo
(BOLÍVAR et alii, 2017). Ao se adequar 
gradativamente às conformidades 
ambientais e investir em tecnologia, o 
agropecuarista aumenta a produtividade 
e conquista margens maiores de lucro. 
Há imenso potencial para aumentar o 
valor da produção agropecuária sem 
desmatamento (BARRETO, 2013).
A expansão da produção agrícola alcançou 
seu limite via ocupação de novas fronteiras 
e o crescimento da produção agropecuária 
na Revolução Agrícola que se inicia 
ocorrerá com conhecimento, tecnologia 
e um adequado processo decisório 
intragovernamental (FRITZ et alii, 2015). O 
esgotamento das vantagens comparativas 
que foram tradicionalmente responsáveis 
pelo ciclo de desenvolvimento do agro no 
século XX, ou seja, a farta disponibilidade de 
terras, água e trabalho está dando origem 
à emergência do novo agroambientalismo, 
fortemente infl uenciado pelas ideias de 
desenvolvimento sustentável. O Brasil
país possuidor de um imenso ecossistema 
e líder na produção de alimentos no 
mundo, encontra-se em condições 
favoráveis de liderar a Nova Revolução 
Agrícola, caracterizada pela sinergia dos 
segmentos produtivo e ambiental. Essa 
missão não implicará pôr um obstáculo 
ao crescimento agropecuário, mas, sim, 
planejá-lo sobre bases harmoniosas 
e se valer de métodos e abordagens 
inovadores, o que inclui a reconfi guração 
das instituições públicas correspondentes, 
para torná-las preparadas para orientar o 
próximo ciclo de desenvolvimento social e 
crescimento econômico do país.

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