Revisão de literatura



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A memória e a identidade


(...) as fragilidades da identidade do personagem [Kindzu]

encontram eco em uma nação recém-liberta, cuja memória e identidade encontram-se ainda fortemente abaladas. Daí a presença de outro personagem que, por sua vez, sofre de uma completa amnésia no que diz respeito a aspectos essenciais de sua identidade: não recorda seu nome, seu passado ou seus progenitores, esquecendo-se completamente de seu lugar no mundo. O menino de nome Muidinga não representa o esquecimento e as fragilidades da identidade apenas em nível individual, mas assume e dá voz aos “traumatismos coletivos e às feridas da memória coletiva”, já que desaprendeu seu nome, sua origem, sua história e suas raízes, tal qual a própria nação, espoliada e ferida em sua própria identidade.



O reaprendizado de Muidinga só se inicia à medida que se põe a ler sobre a história da nação, (re)investindo-se ele também de nova identidade. Não é à toa que pergunta obstinadamente por seus pais: o desejo de encontrar sua origem e suas raízes repousa inevitavelmente na necessidade de encontrar sua própria identidade.

Síntese:
  • O final do romance é bem revelador: as folhas dos cadernos de Kindzu começam a virar terra  enraizar, entrar na terra, recuperar o contato por meio das narrativas
  • Uso constante de neologismos e de termos regionais (a exemplo de Guimarães Rosa): terra viva e língua viva.
  • Perda de memória (Muidinga) e busca de identidade (Kindzu) = Moçambique.
  • Crítica de Mia Couto à relação do poder com o povo faminto e desabrigado.



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