Rev. Interd em Cult e Soc. (Rics)


Rev. Interd. em Cult. e Soc. (RICS)



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7361-32378-1-PB (1)
Rev. Interd. em Cult. e Soc. (RICS), São Luís, v. 5, n. 2, p. 1- 17, jul./dez. 2019 

ISSN eletrônico: 2447-6498 

 

e  existem  por  meio  dos  corpos,  de  outro  modo,  são  efeitos  dos  corpos.  A  teoria  dos 



incorporais  dos  estoicos  prescreve,  então,  que  os  seres  reais  entram  em  relação  uns  com  os 

outros e, em meio a essa relação, modificam-se, misturam-se, no entanto eles não são causa 

uns para os outros;  exemplifica Bréhier, “causas uns para os outros de  certas coisas”

10

  é  o 



modo como os estoicos encontraram para evitar que na mistura dos corpos (mixiV ou crasiV) 

surjam novas qualidades a partir da suas relações, pois caso sujam novas qualidades, então, o 

ser  não  é  perfeito,  ato  na  natureza,  mas  potência,  mediação  aristotélica  que  os  estoicos  não 

admitem. Há na natureza uma força interna que mantém a coesão: Razão divina, Destino, que 

é a unidade das causas entre si, que se dá na extensão do presente cósmico (Aion): 

 

Os estoicos desenvolveram  uma  física da efetividade ou da atualidade: pensadores 



da  potência,  eles  são  os  pensadores  de  uma  potência  ativa  ou  efetiva  e  rejeitam  o 

sentido aristotélico da potência como virtualidade. Das quatro causas aristotélicas – 

material, formal, eficiente e final -, eles guardam apenas a causa eficiente motora ou 

produtora, rejeitando a final. A teoria da providência que organiza sua cosmologia 

não  é  uma  representação  finalista  da  natureza.  Ao  passo  que  um  finalismo  natural 

envolveria  o  objetivo,  não  alcançado,  de  um  mundo  apenas  visado,  o  mundo 

estoico, em sua organização racional integral, é integralmente presente (tota simul

e integralmente atual – puro indicativo. 

(ILDEFONSE, 2007, p.38-39). 

  

Aqui  opõem-se  dois  modos  de  apreensão  da  realidade:  o  corporealismo  estoico 



que  entende  o  mundo  como  unidade  perfeita  e  divina,  viva,  contínua,  na  qual  a  natureza  é 

cosmos,  a  natureza  é  ordem  natural

11

  e  a  platônica-aristotélica  que  compreende  a  realidade 



dividida, dual, equívoca: 

 

(...)  com  Platão  uma  decisão  filosófica  da  mais  alta  importância  foi  tomada:  a  de 



subordinar  a  diferença  às  potências  do  Mesmo  e  do  Semelhante,  supostamente 

iniciais, a de declarar a diferença impensável em si mesma e de remetê-la, ela e os 

simulacros,  ao  oceano  sem  fundo.  Mas,  precisamente  porque  Platão  ainda  não 

dispõe  das  categorias  constituídas  da  representação  (elas  aparecerão  com 

Aristóteles),  é  sobre  uma  teoria  da  Ideia  que  ele  deve  fundar  sua  decisão.

  

(DELEUZE, 1997, p.166). 



  

Por  essa  via,  a  diferença  tornou-se  subordinada  ao  princípio  de  Identidade,  à 

analogia do juízo e à distribuição opositiva dos predicados; ou seja: a diferença é aprisionada 

                                                

10

 Cf., Émile Bréhier, La théorie des incorporels dans l’ancien stoicisme, p. 11. 



 

11

 Frédérique Ildefonse (2007, p. 33-34), alerta que os estoicos faziam uma diferença entre tó pan do to hólon



Tó pan é a totalidade ‘total’ universo, que compreende o tó hólon, a totalidade, o mundo e o vazio que o cerca, 

que não é um corpo, mas um incorpóreo. (...) Tó pan designaria o universo, tó hólon, o mundo, e o vazio é, por 

assim dizer, o lugar do mundo”. 






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