Rev. Interd em Cult e Soc. (Rics)


Rev. Interd. em Cult. e Soc. (RICS)



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12998-39068-1-PB
7361-32378-1-PB (1)
Rev. Interd. em Cult. e Soc. (RICS), São Luís, v. 5, n. 2, p. 1- 17, jul./dez. 2019 

ISSN eletrônico: 2447-6498 

 

mesmo, pois se subtende, num primeiro momento, o brilho como atividade e numa segunda 



vez  como  sujeito,  supondo  sob  o  acontecimento  (Geschehen)  um  ser  (Sein),  que  não  se 

confunde com o acontecimento, antes ele permanece, é, e não torna-se. O “relâmpago brilha” 

é  uma  ocorrência  que  não  é  apreendido  como  uma  ação  enquanto  tal,  mas  como  “alguma 

coisa que brilha”, como um em-si, e o denominamos de “o brilho”. A crença fundamental é 

de que há sujeito, ou seja, o acontecimento é interpretado do ponto de vista de um agente. O 

acontecimento  é  associado  a  um  substrato  ôntico,  processo  pelo  qual  se  reduz  o 

acontecimento  a  um  puro  e  simples  “predicado”,  que  se  diz  por  consequência  de  um 

“sujeito”.  Isto  ocorre,  pois  deixa-se  de  pensar  a  expressão  “o  relâmpago  brilha”  em  seu 

sentido  verbal,  acontecimento  puro,  manifestação  de  si  e  enquanto  tal,  mas  como  um 

predicado que manifesta uma causa, o sujeito lógico da preposição, o brilho. Embuste que a 

linguagem nos prega, e ao desviar o sentido do acontecimento de sua expressão verbal, funda 

sobre  uma  determinação  ôntica  da  substância  (ousia),    enquanto  atributo  ou  acidente;  tal 

operação gramatical pertence ao miolo metafísico da representação da realidade: 

 

Desde  que  se  interprete,  com  efeito,  toda  manifestação  com  relação  a  um 



sujeito,  por  exemplo,  toda  “ação”  com  relação  a  um  agente,  todo  “efeito”  com 

relação  a  uma  causa,  se  coloca  implicitamente  que  “tudo  isto  que  chega  se 

comporta predicativamente em relação a um sujeito qualquer”. A assimilação do 

acontecimento  a  um  substrato  ôntico  é  acompanhado  de  uma  redução  do 

acontecimento a um puro e simples “predicado”, que se diz por consequência de 

um “sujeito”. 

(ROMANO, 1998, p.09). 

  

Essa sedução da linguagem  domina o campo  ontológico pelo  qual  se organiza a 



representação  da  realidade,  subordinando  o  acontecimento  à  proposição  que  o  anuncia  e  ao 

sujeito  que  exprime  o  enunciado:  “O  acontecimento  sobrevive,  sem  mais,  a  partir  de  si 

mesmo, de tal sorte que não se pode distinguir aqui o ‘brilhar’ (o acontecimento)  disto que 

brilha  (o  substrato  ôntico,  o  agente  da  ação,  a  causa  do  efeito)”  (ROMANO,  1998,  p.10). 

Aqui aparecem três problemas: o que é dito, o sujeito, e o como se diz: 1) a designação, ou 

seja, a relação da proposição com a realidade, ao determinar um “estado de coisas” ao qual se 

refere;  2) a manifestação, pois  a proposição está  em  relação  ao sujeito  que anuncia e, desta 

forma,  o  desejo  do  sujeito  manifesta-se  no  enunciado;  3)  a  significação,  pois  a  proposição 

relaciona-se com significados ou conceitos universais (semânticos) e ao mesmo tempo com a 

ordem sintática dos conceitos. Com esses três pontos em relevância, Deleuze mira, também, 

três linhas do pensamento filosófico contemporâneo: a analítica, pois esta deriva o sentido da 

relação  designativa;  a  fenomenologia  já  que  ela  refere  o  sentido  à  manifestação  e  o 







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