Rev. Interd em Cult e Soc. (Rics)


Rev. Interd. em Cult. e Soc. (RICS)



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7361-32378-1-PB (1)
Rev. Interd. em Cult. e Soc. (RICS), São Luís, v. 5, n. 2, p. 1- 17, jul./dez. 2019 

ISSN eletrônico: 2447-6498 

 

espera da realização de  um  possível,  relacionado nesse caso  a uma causalidade externa, por 



essa razão os demais indicadores estão relacionados com o Eu fundante. Esse é o domínio do 

pessoal,  esfera  do  Cogito,  que  é  o  princípio  designador  dos  demais  indicadores,  pretensa 

identidade  fixa  que  garante,  sob  certo  aspecto,  a  validade  do  designado,  validade  que  se 

conquista  quando  as  convicções,  crenças  e  desejos  do  sujeito  passam  a  fazer  parte  da 

designação.  Por  isso  Deleuze  pode  dizer  que  a  relação  de  designação  é  apenas  uma  forma 

lógica  da  recognição

6

.  Conclui-se  daí  que  é  a  manifestação  permite  a  designação



7

,  porém 

enquanto  a  filosofia  assenta  o  valor  de  verdade  na  experiência  possível,  esta  passa  a 

considerar  a  verdade  como  algo  extrínseco  e  não  intrínseco;  a  isso  Deleuze  irá  contrapor  a 

experiência  real:  “A  verdade,  com  efeito,  é  caso  de  produção,  não  de  adequação.  Caso  de 

genitalidade, não de inatismo nem de reminiscência”. (DELEUZE, 1997, p. 200). 

Segundo  Deleuze  daí  vem  a  ilusão  de  se  querer  decalcar  os  problemas  sobre  as 

proposições,  ou  seja,  a  ilusão  filosófica  admite  ser  possível  a  resolução  da  verdade  de  um 

problema por meio de um desvio técnico: modelar a forma dos problemas sobre a  forma de 

possibilidade das proposições, ̶  caso de Aristóteles e da sua lógica predicativa. Surge então 

na ponta das relações propositivas a significação. Esta consistiria na relação das palavras com 

conceitos  universais,  ou  gerais,  bem  como  as  relações  sintáticas  com  as  implicações  do 

conceito. Na significação, os elementos são considerados enquanto significados que remetem 

a outras proposições, por isso, a proposição é circular, pois sua referência é sempre referência 

entre  conceitos.  A  significação  possui  como  estatuto  a  demonstração,  por  isso  é  constituída 

de premissa e conclusão, algo implica (premissas) e possui uma conclusão (logo, então, etc.), 

dimensão  essa  do  silogismo.  A  combinatória  dos  significados  dá-se  na  relação  Sujeito  é 

Predicado (S  é P). O valor de verdade repousa na sua conclusão lógica,  não que o erro não 

esteja  incluso,  porém  ele  é  derivado  de  uma  determinada  demonstração  incorreta,  ou 

simplesmente  quando  atesta  que  algo  não  existe,  ou  não  é  verificável  diretamente.  A 

significação  possui,  na  sua  estrutura  proposicional,  a  pressuposição  da  existência 

independente  dos  seres:  “o  homem  é  mortal”  (S  é  P);  “a  rosa  é  vermelha”,  que  são 

compreendidos a partir de seu próprio esvaziamento, ou seja, sua verdade é obtida, no tanto 

                                                

6

 Cf., Gilles Deleuze, Différence et répétition, p.199. 



7

 No início de Logique du sens (p.11) Deleuze é bem claro acerca da aventura de Alice, que se faz na perda do 

nome próprio, que desloca a permanência de um saber: “Este saber é encarnado em nomes gerais que designam 

paradas e repousos, substantivos e adjetivos, com os quais o próprio conserva uma relação constante. Assim, o 

eu pessoal tem necessidade de Deus e do mundo em geral. Mas quando os substantivos e adjetivos começam a 

fundir, quando os nomes de parada e repouso são arrastados pelos verbos de puro devir e deslizam na linguagem 

dos acontecimentos, toda a identidade se perde para o eu, o mundo e Deus”. 






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