Rev. Interd em Cult e Soc. (Rics)


Rev. Interd. em Cult. e Soc. (RICS)



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12998-39068-1-PB
7361-32378-1-PB (1)
Rev. Interd. em Cult. e Soc. (RICS), São Luís, v. 5, n. 2, p. 1- 17, jul./dez. 2019 

ISSN eletrônico: 2447-6498 

 

universal



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, alternativas estas outorgadas pela tradição que consumou um modelo de operação 

puramente  racional,  e  constituiu  o  modelo  de  pensamento  que  rege  a  metafísica.  Em 

Différence  et  répétition,  Deleuze  já  inicia  uma  contraefetuação  seguindo  indicações  do 

pensamento  estoico,  o  que  em  Logique  du  sens  será  levado  a  cabo  em  todo  o  seu  rigor, 

instituindo um franco debate dos estoicos com os platônicos e os aristotélicos. O interesse de 

Deleuze pelos estoicos resulta de um uso estratégico: ele observa que a lógica estoica é uma 

arma voltada contra o sistema não só aristotélico, mas platônico, e que via a Stóa poder-se-ía 

pensar  numa  saída  para  o  problema  posto  por  Aristóteles  e  Platão,  a  saber:  o  ser  e  a  sua 

definição  enquanto  identidade  absoluta  e  transcendente.  Como  irmãos  siameses  é  quase 

impossível  desembaraçar  os  dois  filósofos,  o  que  demonstra  o  quanto  Deleuze  se  preocupa 

em  atacar  os  flancos  da  tradição  a  partir  dos  dois  grandes  pilares  da  filosofia  da 

representação. 

Na  tradição  o  sentido  é  designado  pelo  seu  valor  de  verdade  numa  determinada 

proposição,  e  as  questões  concernentes  a  três  dimensões:  a  designação,  a  manifestação  e  a 



significação. A designação deve estar em acordo com aquilo que anuncia (o exprimível), ao 

mesmo tempo a designação deve estar em acordo com aquilo que indica, ou seja, ela designa 

o  objeto  daquilo  que  se  anuncia  ou  se  exprime,  sendo  composta  então  por  duas  condições 

necessárias:  a  dimensão  do  sentido  e  a  dimensão  do  verdadeiro  e  do  falso

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.  A  questão  que 



Deleuze levanta é a seguinte: por haver duas dimensões, então o sentido não poderia fundar a 

verdade sem, ao mesmo tempo, permanecer alheia ao que exprime, posto que é na designação 

que se dá o verdadeiro e o falso: “Encontramo-nos, então, numa estranha situação: descobre-

se  o  domínio  do  sentido,  mas  ele  é  remetido  apenas  a  um  faro  psicológico  ou  a  um 

formalismo  lógico”.  (DELEUZE,  1997,  p.199).  O  formalismo  lógico  diz  respeito  ao  modo 

como  a  designação  se  refere  a  um  estado  de  coisas  externas,  ela  opera  com  imagens  que 

devem  representar  o  que  foi  designado,  assim  a  designação  se  assenta  em  singularidades 

materiais,  por  exemplo,  isso  ou  aquilo,  aqui  ou  ali,  hoje  ou  ontem,  etc.,  que  são  conceitos 



singulares  formais.  Há  também  os  nomes  próprios,  que  também  são  designantes,  porém 

singulares materiais. A outra face da proposição é a manifestação, que pode ser considerada 

enquanto o fato psicológico, ou seja, um Eu, um designante (eu, tu, ele..), que opera não no 

âmbito da verdade e do falso, mas da veracidade e do engano, pois diz respeito aos desejos e 

crenças do sujeito. O desejo corresponde à organização interna das causalidades e a crença à 

                                                

4

 Cf., Gilles Deleuze, Différence et répétition, p. 03. 



5

 Cf., Gilles Deleuze, Différence et répétition, p. 199. 







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